Já com algumas curtas-metragens lançadas, videoclipes e trabalhos como realizador de primeira unidade em um par de filmes de Abel Ferrara (Zeros and Ones; Padre Pio), Giulio Donato estreou-se nas longas-metragens com uma peça entre o “real” e o onírico sobre o rumo diferente de dois amigos, Francesco e Mimmo, a partir de uma localidade perdida no tempo na região de Calábria, onde as tradições antigas e repressões comunitárias, embora suavizadas pelos avanços tecnológicos, ainda marcam os destinos e ambições dos seus habitantes.

O agente transformador é um livro que Francesco encontra numa casa abandonada e que o faz viajar pelos sonhos, a dormir e acordado, imaginando um futuro diferente, de luta contra as convenções e o estabelecido, uma “realidade” intransponível a que Mimmo se rende, provocando uma reação assimétrica na relação entre os dois.

Filme que transpira liberdade e uma abordagem conceitual particular a um género – o coming-of-age – que sempre atraiu os cineastas, na busca identitária e no choque entre desejos e restrições, “Labirinti” nunca consegue aprofundar muito as questões que coloca em cima da mesa, nem nos oferece uma linguagem cinemática singular, quer na sua abordagem quase documental e observacional à vida quotidiana, quer de realismo mágico quando entra no mundo onírico delirante e nos introduz a visão de um ser mitológico que neles habita. Não há, em todo o filme, um plano ou sequência que nos arrebate; uma interpretação – por parte dos não-atores em cena – que nos consuma; ou uma sequência, real ou simbólica, impulsionada pela montagem e fotografia, que nos permaneça na mente depois do fim do que visionamos. 

No final, ficamos assim com um manual de “intenções”, do tipo de obras que insinuam, mas não respondem, nem deixam grande vontade ao espectador para o fazer. E nisso, “Labirinti” acaba por ser um filme em défaut, onde as carências são mais óbvias que as ambições.

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Pontuação Geral
Jorge Pereira
os-labirinti-da-adolescenciaNão há, em todo o filme, um plano ou sequência que nos arrebate; uma interpretação - por parte dos não-atores em cena - que nos consuma; ou uma sequência, real ou simbólica, impulsionada pela montagem e fotografia, que nos permaneça na mente depois do fim do que visionamos.