Na última passagem de milénio, uma leva de cineastas de França resolveu seguir os passos de Luc Besson, mas de uma maneira menos estilizada, flertando com a estética hollywoodesca da ação, sobretudo a partir de “Le Pacte des Loups” (2001), dando brecha a talentos como Louis Leterrier, Christophe Gans e Jean-François Richet.

Menos feliz do que os seus conterrâneos nas escolhas, Xavier Gens, vindo de Dunkerque, fez parte desse bloco de expressões pop francófonas, cujo foco era trucidar com a palavrosa herança da Nouvelle Vague, propondo narrativas cinemáticas capazes de desafiar as leis da gravidade. Ele alcançou destaque com “Frontiere(s)”, em 2007, e, naquele mesmo ano, foi transformar o videojogo “Hitman” numa longa-metragem, com Timothy Olyphant, cujo resultado – o profissional e o estético – foi um desastre. Mas ele seguiu filmando e regressa ao circuito agora com “Farang – Implacável”, um thriller que tenta se se escorar num certo exotismo, ao explorar a realidade tailandesa, mas só alcança algum mérito pela aspereza das suas sequências de ação.

Em tempos de “John Wick”, Gens renega a estrutura de velocidade máxima e cortes frenéticos da atual vaga do cinema de ação e aposta numa linha mais próxima dos filmes de Sheldon Lettich dos anos 1980 e 1990, de enquadramentos secos, com algum hiper-realismo, nas sequências de luta. Não há iluminação estroboscópica nem excesso de edição. Tudo soa rústico como o mundo que produz o seu protagonista, Sam, vivido por Nassim Lyes sem uma gota de carisma. Ele é o principal motivo da falta de gás desta produção que, se por um lado consegue impressionar pela secura, por outro, desaponta pela falta de humanismo. Nem todas as estrelas de artes marciais são um Van Damme ou Bruce Lee. Lyes não é. Com a falta de viço da sua persona, “Farang” limita -se a ser um espetáculo que cai numa vala genérica, apesar da montagem ágil.

No guião, vemos Sam a refazer a vida após um calvário no cárcere. Mas, em solo tailandês, um bandido inescrupuloso vai forçá-lo a voltar ao crime. O mote faz lembrar “Only God Forgives” (2013), mas Gens não é Nicolas Winding Refn, e Lyes está longe de ser Ryan Gosling.

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Pontuação Geral
Rodrigo Fonseca
farang-van-damme-genericoCom a falta de viço da sua persona, “Farang” limita -se a ser um espetáculo que cai numa vala genérica, apesar da montagem ágil.