Financiado pela Fundação Cartier como uma curta-metragem de 20 minutos que se estendeu aos 60’, “Best Secret Place” evoca a cultura dos videojogos e das suas salas secretas, programadas por um@ qualquer developer para só alguns lá chegarem sem usar cheat codes, para criar uma metáfora do real onde um grupo de pessoas vai também ele parar todas as noites – sem saber como- a um local com essas características muito próprias.

É um regresso curioso e com boas ideias sobre uma tristeza comum, onde não faltam easter eggs para oferecer, mas derradeiramente descartável na execução, da dupla de “Jessica Forever”, Caroline Poggi e Jonathan Vinel. Tendo como principal atributo a sua irreverência e capacidade de jogar entre o real e virtual, sem receios de se espalhar ao comprido, a dupla mune-se de diversas armas – como a animação, o CGI e a introdução de clips dos próprios videojogos – para numa fusão fazer o espectador passar um bom bocado.

Videogames, rap e a cultura hip hop também surgem como referências estéticas e espirituais, juntamente com uma violência bélica alienada de verdadeiro significado, tudo acompanhado por palavras que não raras vezes nos levam a pseudo filosofias de bolso.

Mais que cineastas per se, Caroline Poggi e Jonathan Vinel têm nos últimos anos sido apaparicados por uma cultura hipster que vê no contraste e “Kitch” verdadeiros atos de “rebeldes com uma causa“, ou seja, tudo o que há de bom para despertar o cinema da letargia e classicismo. A verdade é que a dupla tenta e tenta, mas nessa busca muitos outros cineastas, como Bertrand Mandico e Yann Gonzalez, têm provado ser infinitamente mais poderosos e cinematograficamente adultos.

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Pontuação Geral
Jorge Pereira
best-secret-place-um-lugar-especialUm regresso curioso e com boas ideias sobre uma tristeza comum, também ela com easter eggs para oferecer, mas derradeiramente descartável na execução,