Todo ele construído mecanicamente dentro da linhagem de crime e vingança bárbara, “Becky” chegou aos cinemas em 2020 com muito pouca inventividade, quer no enredo, onde uma pré-adolescente limpa da face da terra um grupo de neonazis foragidos que assassinou o pai, quer nos visuais e atmosfera: um pós-grindhouse que tanto deve aos anos 70 como às derivações modernas vindas de Eli Roth e Robert Rodriguez.

Três anos depois do primeiro filme, Becky está de volta, mais velha (16 anos) e mais perversa, tendo de lidar com um novo grupo de neonazis com ideias de levantamento “patriótico” contra o sistema político americano atual. Mais uma vez, a jovem vai perder alguém barbaramente, o que a leva a iniciar essa caça ao homem extremamente estilizada e repleta de violência gráfica, cuja noção de criatividade vem das formas bizarras com que a apresenta a sua glorificação à violência e as mortes associadas aos vilões.

Além de voltar a ser um filme profundamente derivativo, para não dizer “copião”, esta nova caça do gato ao rato sobrevive apoiada na sua anti-heroína, interpretada em modo automático por uma Lulu Wilson (Annabelle: A Criação do Mal) de macacão vermelho, estampas rebeldes e unhas azuis, transformando tudo num puro exercício de estilo e entretenimento descartável sem qualquer crítica social ou política. 

A binaridade dos bons ou maus volta a repetir-se em todos os locais comuns (racistas, misóginos, broncos), havendo apenas nos vilões uma personagem ambígua e em Becky uma quantidade proporcional de justiceira e de crueldade psicopata. Aquele que devia ser o grande vilão, interpretado por Seann William Scott, é demasiado “morno” para ser verdadeiramente odiado, e a mulher idosa que o acompanha é meramente caricatural (e patética na sua derradeira cena).

Matt Angel  e  Suzanne Coote filmam tudo mais a pensar nos “Kick Ass” e “Hanna”’s da vida que nos exercícios históricos e clássicos do cinema de “vigilantes”. O resultado é um entretenimento escapista absolutamente dispensável dentro do seu género.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
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