Apesar de “The (Ex)perience of Love” (Le Syndrome des Amours Passées) ser “apenas” a sua segunda longa-metragem, a dupla Raphaël Balboni e Ann Sirot, já tem a experiência de mais de uma década no cinema. Começaram nas curtas, em 2007, com o thriller experimental “Dernière Partie” (2007), prosseguiram com “Fable Domestique” (2010), “Lucha Libre” (2014) e “Avec Thelma” (2017), ganhando alguns prémios, e estrearam-se nas longas-metragens com o extraordinário “Une Vie Démente” em 2020, em meio à pandemia.

Nesse pequeno, mas frutífero e ternurento ensaio sobre os altos e baixos das relações de jovens adultos, seguíamos a vida de um jovem casal que tentava a todo o custo engravidar e que se preparava para comprar um apartamento.  Um caso de demência na família próxima, afigura-se como uma barreira a ultrapassar pela dupla, tudo tratado com maestria pela dupla de cineastas que conquistou mesmo alguns festivais de cinema, como Bergamo.

Curiosamente, ou não, “Le Syndrome des Amours Passées” cose-se pelas mesmas linhas narrativas, ou seja, voltamos a ter um casal – Sandra (Lucie Debay) e Remy (Lazare Goussseau) – com o desejo de ter filhos, mas que, apesar de tentar através de múltiplos tratamentos, descobre que não consegue porque, segundo o dispositivo disparatado encontrado pelos cineastas, sofre do Síndrome das Relações Passadas.  A solução encontrada por um “especialista” na matéria para ultrapassarem essa barreira é voltarem a reencontrar os antigos amantes e terem relações sexuais com eles.

Construído sempre como uma comédia de veia irónica, rapidamente “Le Syndrome des Amours Passées” esgota-se ao se transformar numa coleção de sketches individuais dos reencontros das personagens com antigas relações, os quais maioritariamente falham em entregar risos ao espectador.

No mais, quando o casal discute na cama os reencontros que tiveram nesse mesmo dia, as conversas não atingem qualquer ponto de neurose, sarcasmo ou até resolução, ficando o filme prostrado à condição de absoluta inocuidade: não faz rir, não faz pensar, nada.

Seriamente desnutrido no guião, embora esteticamente mais arrojado que os exercícios anteriores dos cineastas, especialmente no campo da montagem, “Le Syndrome des Amours Passées” não consegue assim nunca chegar aos resultados alcançados com a sua abordagem mais séria e reflexiva em “Une Vie Démente”, sentindo-se pois como uma verdadeiro tropeção na carreira de uma dupla que já mostrou valor no passado.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
le-syndrome-des-amours-passees-ironia-inocuaComo exercício do ironia, “Le Syndrome des Amours Passées” não consegue nunca chegar aos resultados alcançados com a sua abordagem mais séria e reflexiva em “Une Vie Démente”