Filme-catástrofe com modus operandi de horror ambiental, pois afinal toda a tragédia, caos e morte nasce a partir de chuvas ácidas como consequência da degradação ambiental do planeta, “Acide” acelera como drama de ação e suspense baseado numa curta-metragem homónima de Just Philippot, que agora repete a dose, mas fornece um espaço mais alargado para o aprofundamento das relações humanas.

Com o seu quê de “Guerra dos Mundos” e “O Dia depois de Amanhã”,  por aqui seguimos particularmente um pai (Guillaume Canet) e uma filha (Patience Munchenbach), os quais vivem um pouco afastados, mas voltam a calibrar a sua conexão quando são forçados a lutar pela sobrevivência no meio de um planeta e uma França em derrocada.

Tenso, mas muito convencional e previsível no seu arco narrativo e ferramentas emocionais, “Acide” não deve absolutamente nada – em termos de efeitos visuais, sonoros e direção artística – a muitas das propostas que norte-americanos, britânicos, japoneses e sul – coreanos têm lançado nas últimas duas décadas, sempre com altos índices de pânico apocalíptico como pano de fundo da resolução de dramas familiares. E não deve nada a outros filmes até no pior, como o habitual dispositivo do ”sacrifício lamecha” por causa de uma idiotice feita por qualquer personagem.

No ponto mais elevado, destaque para a capacidade do cineasta em enraizar os eventos na realidade francesa, muito por responsabilidade da criação e preenchimento da personagem interpretada por Canet, Michal, que começa o filme numa movimentação laboral filmada apenas com telemóvel. Um protesto em que excede os limites e espanca um polícia, o que o colocará durante todo o filme com uma pulseira eletrónica no tornozelo.

Eficaz na exposição da convulsão social e ambiental no país, mas também no seio de uma família disfuncional, o filme explora ainda o individualismo exacerbado que resvala quando é tempo de sobreviver. E sem colocar limites à forma de thriller que vai adquirindo progressivamente, no meio do drama mais pessoal, “Acide” merece uma olhadela, embora em momento algum sirva para iniciar uma discussão ecológica. É que a sua forma de objeto de entretenimento de degustação rápida aliena o espectador do verdadeiro problema em questão.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
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