Iniciada há 22 anos, a franquia “Velocidade Furiosa” já passou por várias fases, a começar pela inaugural de Rob Cohen, em 2001, onde corridas ilegais “piscavam o olho” aos policiais à antiga, mas agora embrulhados numa abordagem entre o videoclipe e o videojogo. A certo ponto, a saga perdeu gás (dinheiro) e para a reavivar foi chamado Justin Lin que levou a franquia para o campo dos heist movies (a melhor fase). Foi a partir do sétimo capítulo que veio a explosão sensacionalista, transformando-se a franquia num objeto extremo da espetacularidade à la Hollywood, mas com claras influências em Bollywood. Este décimo filme “Fast and Furious”, intitulado “Fast X“, assinado por Louis Leterrier, é o expoente máximo desta fase, com situações irreais num nível exosférico.
Acelerando desde o início e sem travagens até aos créditos finais, Dominic Toretto (Vin Diesel) vai ter de lidar desta vez com um vilão do passado, Dante Reyes (Jason Momoa), o filho de Herman Reyes (Joaquim de Almeida), de quem Toretto e Brian (Paul Walker) roubaram 100 milhões de dólares em “Fast Five” (2011). Claro que, como sempre, a ação se multiplica por destinos exóticos, por isso, de Los Angeles a Roma, passando por Nápoles e até Portugal, o espectador é bombardeado por cenas atrás de cenas de ação alucinada.
Associado ao desafio constante das leis da física, sob um modelo de ação turbinada a esteróides, onde montagem (de cortes rápidos), fotografia e efeitos visuais unem-se numa sintonia imersiva que oferece a sensação de permanente movimento, encontramos a noção de família – que ultrapassa os laços sanguíneos – o legado, o amor e a lealdade, tudo distribuído nas frames em doses cavalares. A verdade é que, a cada filme, “Velocidade Furiosa” oferece um pouco mais de tudo – ação, drama, porrada, perseguições, tiros e explosões – e vai abrindo portas à entrada de mais e mais personagens, sempre preenchidas por estrelas.
O resultado, até agora, é sucesso atrás de sucesso nas bilheteiras e uma imunidade completa à palavra da crítica de cinema. Tudo nesta saga se tornou possível, enquanto a canastrice emocional – que passa de pais para filhos, sem esquecer as “abuelas” – explodiu após a morte do ator Paul Walker.
No mais, a saga aprimorou neste novo filme a sua forma de série ou soap opera cinematográfica, já que “Fast X” deixa propositadamente pontas soltas a serem completadas nos próximos filmes/episódios, enquanto acumula traições e jogos de lealdade.
A realidade é que “Fast X” tornou-se num produto dramaticamente em reciclagem permanente, dependente de explosões cada vez maiores: as físicas, que vão destruindo os locais por onde passa, e as emocionais, que vão cimentando os inimigos e amigos de Dominic Toretto. Tudo no ato supremo da mais completa superficialidade e do entretenimento descerebrado sem limites.
















