Carregando o peso da culpa por já não estar com a esposa quando esta morreu, algo frequentemente mencionado com rancor por uma das suas duas filhas, um médico norte-americano (Idris Elba) parte para a África do Sul com as descendentes para tentar a reaproximação e provar que pode ser um “pai à maneira”. O problema é que, para provar isso, ele terá de confrontar uma besta selvagem que se revolta contra os humanos após a sua família ser chacinada por caçadores furtivos.
Drama com uma forte componente de aventuras e filme de sobrevivência, algo a que o islandês Baltasar Kormákur está habituado (Everest; Adrift), “Beast” deriva dos meandros do cinema série B americano carregado de testosterona onde o homem terá de enfrentar os elementos à sua volta, nesta caso uma criatura/animal. Porém, a escolha de Kormákur é a seriedade e não o humor (totalmente ausente), procurando este “Beast” ser mais um “Tubarão” que um “Meg”.
Os leões têm sido, aliás, criaturas complicadas de gerir nos últimos anos na sua relação com os humanos e ainda recentemente tivemos Megan Fox em “Rogue” a lutar contra um, numa espécie de militares vs predador, que tudo devia ao clássico de John McTiernan, “O Predador”.
Curiosamente, tal como nesse filme, e em todos que envolvem animais mas não têm orçamentos luxuosos para computação gráfica, o receio do espectador perante a criatura que se lhes afigura nunca é verdadeiramente aterrorizante pois tudo nesses bichos é artificial e sintético, em particular os movimentos, pois Andy Serkis e outros que tais não conseguem estar em todo o lado e ao mesmo tempo. Os efeitos práticos são demasiado caros, então opta-se por CGI barato, mas ineficaz, saindo genericamente – qual linha de montagem – filmes genéricos e descartáveis.
Por isso mesmo, e por melhores presenças no elenco (Idris Elba e Sharlto Copley em boa forma) que o filme tenha, “Beast” nunca se desamarra do exercício de tensão passageiro regado a previsibilidade e múltiplos clichés, que se consome no imediato com algum prazer do entretenimento familiar escapista, mas facilmente esquecido (como “Congo”, de 1995). É daqueles filmes que nunca estará dentro das propostas mais interessantes da sua espécie.





















