“The Sky Is Everywhere” tem como premissa uma daquelas questões que tem tanto de doloroso como de “crescidinho”: como pode a vida continuar depois da morte de alguém que nos é próximo? É uma questão repetida até à exaustão por Lennie (Grace Kaufman), uma adolescente delicada que alimenta o sonho de se tornar um dia numa clarinetista importante, e que certo dia vê a sua vida levar um valente safanão: a morte prematura da sua irmã durante os ensaios de uma peça de teatro do liceu, a extrovertida Bailey (Havana Rose Liu), uma presença constante na sua vida e a companhia cúmplice com quem partilhava os dias. Apesar do mundo encantador em que decorre a narrativa, onde tudo é maravilhoso e exuberantemente florido – ou não vivesse Lennie numa casa junto de uma floresta habitada por sequóias milenares, a chamada “floresta encantada” da Califórnia – “The Sky Is Everywhere” é um filme sobre a passagem para a vida adulta, mas também sobre o luto: abre com a dor de Lennie perante a partida que a vida pregou, mas cedo descobrimos que o problema de saúde que roubou a vida à irmã é na verdade hereditário, tendo o mesmo acontecido à mãe. Lennie vive com a avó e o tio num mundo um bocadinho à parte, e cada um procura à sua maneira lidar o melhor que pode com o que a vida lhes deu.
É este lado mais literal e meio bidimensional, quase esquemático até, que torna o filme mais interessante, mas simultaneamente mais limitado. Por um lado, é como se o filme tivesse sempre demasiado presente uma audiência à qual se dirige, a audiência de adolescentes que parece dar sinais de precisar de comer muita canja antes de aprender a roer os ossos da vida. Isso “motiva” o filme a ir à procura de soluções dramáticas mais ou menos engenhosas, algures entre aquilo que realizadores como Michel Gondry ou Wes Anderson fizeram a dada altura nas respetivas carreiras, mas com uma diferença fundamental: é como se a aproximação dos adolescentes ao lado mais injusto da vida tivesse que ser trilhada por uma estrada de algodão doce.
Realizado por Josephine Decker, uma realizadora que se encontra aqui uns furos abaixo daquilo que de mais interessante parecia haver no seu anterior filme, “Shirley“, “The Sky is Everywhere” adapta para cinema o romance homónimo, um pequeno grande sucesso literário destinado a essa massa muito contemporânea que os departamentos de marketing resolveram designar por “jovens adultos”, um admirável mundo novo de condescendência – e de monetização, claro. Os protagonistas são chamados a lidar com situações psicologicamente complexas, mas têm a densidade de uma folha de cartão. A avô (Cherry Jones), que é na verdade o grande pilar de toda a família não passa disso, da avozinha que passa o dia no seu jardim e que procura o melhor para a neta. E o mesmo com tio (Jason Segel), um stoner assim para o esgazeado que não serve outro propósito senão o de aligeirar um registo dramático já de se leviano.
O coração do filme está ao lado de Lennie, e o desenrolar da ação acompanha a sua viagem de superação, sobretudo quando isso implica um afastamento das memórias da sua relação com a irmã. Um dos pontos centrais da narrativa prende-se com um dos momentos de indecisão que se atravessam na vida – o de assumir um relacionamento com o ex-namorado da irmã e assim manter viva a sua presença, ou começar um novo capítulo de uma nova vida, e abrir as portas do seu coração a um colega de escola, que como ela também partilha o sonho da música.




















