A época dos Óscares está aí e a chegada de biografias cinematográficas esquemáticas para esse período já começou, com “King Richard” a lançar Will Smith já para o lote de possíveis nomeados, ele que aqui assume o papel de Richard Williams, “o pai intrépido que cria duas das atletas mais extraordinariamente talentosas de todos os tempos: Venus e Serena Williams”.
Percorrendo o percurso das atletas ainda na adolescência e a forma como Richard as educou e geriu o início das suas carreiras, “King Richard” é um filme seguro que escapa um pouco à história típica do “underdog” que triunfa, isto apesar de dar uma importância destacada ao local de origem das jovens, o perigoso bairro de Compton em L.A., e o facto delas serem negras, o que irá certamente chamar a atenção num desporto (o ténis) tradicionalmente dominado por figuras de raça branca.
Dos treinos intensos em Compton, e consequentes problemas com os gangues locais, até ao início da sua preparação já na Califórnia, com um treinador habituado a lidar com grandes promessas (como Jennifer Capriati o era, na época), “King Richard” nunca sai das raias da previsibilidade para quem conhece a história das irmãs e da relação que tiveram com o pai no início dos seus percursos(há literatura sobre isso), mas também não entra em terreno de pura manipulação emocional ou mero filme de superação.
As pequenas Saniyya Sidney como Venus Williams, e Demi Singleton como Serena Williams, ajudam nisso, tal como o realizador Reinaldo Marcus Green, que aqui e ali deixa algumas marcas do seu trabalho, que vai um poucachinho além do mero filme de produtor para ganhar estatuetas.




















