O projeto debruça-se sobre os integrantes do ONR, grupo ativista radical e nacionalista da Polónia que ocasionalmente organiza eventos e marchas patrióticas (eventuais iniciativas violentas não são mostradas no filme). Eles falam diretamente para a câmara e explicam as suas razões para serem membros de um grupo que têm no ódio aos “gays” e aos “esquerdistas” e no resgate da “grande Polónia” a sua razão de existir.
A julgar pelas razões que vão explicitando ao longo dos depoimentos, o espírito de grupo, um sentido de pertença e um conjunto de fantasias mais ou menos delirantes estão na raiz de romper com aquilo que é, também, a solidão, o desajustamento afetivo ou, simplesmente, o tédio.
O cineasta Michał Edelman esteve seis meses, com a câmera ligada, a seguir os principais líderes do ONR de Lodz, que às tantas quase passam por um inocente grupo de associação comunitária: recolhem roupas para os sem-abrigo, promovem festas com música pimba, organizam atividades para crianças e, mesmo naquilo que mais lhes dá adrenalina, que é seguir as paradas “gays” pelo país afora, são completamente barrados por uma polícia de intervenção bastante atenta.
Ou seja, se por um lado o filme tem o mérito de entrar sem preconceitos dentro de um grupo de pessoas cujas motivações nem sempre são bem conhecidas, por outro deixa um sabor de “biografia autorizada” no registo. Da violência inerente a estes grupos ficam poucos sinais: as lutas de autodefesa e as “armas” autorizadas referidas por um membro, uma menção à amizade com ultras e “hooligans”, um treinamento “militar” patético que mais parece saído do M*A*S*H* e alguns discursos mais ou menos loucos – como o de um que diz que a legitimação da sigla LGBT implica na abertura de portas para a zoofilia e a necrofilia.
É de louvar que Edelman não tenha caído no discurso político/moralista simplista, mas o seu retrato final é demasiado incompleto para um tema que ultrapassa as churrascadas pimbas do ONR – afinal o atual presidente da Polónia, o extremista de direita Andrzej Duda, tornou a Polónia naquilo que se tem designado como “o país mais homofóbico do mundo”. E, para tal efeito, não se abstém de utilizar dispositivos antidemocráticos.




















