O filme do norte-americano Aneesh Chaganty é essencialmente um jogo de abuso de poder e resistência que, ao redor do seu cenário principal (interior da casa, escada, telhado) enquadra uma relação que lembra os distúrbios no velho espírito do “dame grand guignol” (por exemplo “O que Teria Acontecido a Baby Jane?”). O título refere-se aquilo que a vítima não pode concretamente fazer (é paraplégica), mas também indica que a resiliência, independente da questão física, é outra forma de salvar-se.

Chloe (Kiera Allen) é uma adolescente que vive com a mãe (Sarah Paulson). Tudo parece normal: sua mãe se importa com ela, enquanto sonha em receber a carta a dizer que foi aceita na universidade. Por razões não muito claras, começa a desconfiar da progenitora a partir de um frasco de comprimidos encontrado casualmente no saco das compras. Mesmo sendo este artifício duvidoso, Chaganty mostra que a sua direção consistirá em convencer o espectador, no habitual ritmo de “thriller”, de uma relação de proteccionismo e falta que expande-se para a psicose.

Longe de qualquer rasgo particular de originalidade, é um thriller”geralmente eficaz sobre um monstro gerado pela fragilidade afetiva exacerbada e o medo da solidão a ganhar contornos patológicos; do outro lado, fragilidade física pode ser resistência psíquica e é certamente Kyra quem garante o interesse visto ter, no mundo real, ficado paraplégica aos 15 de causas nunca explicadas. O facto deixa adivinhar o empenho metido pela atriz na melhor sequência (a do telhado).

No saldo final, há tensão, suspense, vingança e um “twist” – nada disto surpreendendo muito, mas também não entediando ninguém.

Pontuação Geral
Roni Nunes
run-fuga-da-mediocridadeNo saldo final, há tensão, suspense, vingança e um “twist” – nada disto surpreendendo muito, mas também não entediando ninguém.