Depois dos belos e intensos “A Valsa com Bashir” (2008) e “O Congresso” (2013), Ari Folman está de volta com “Where is Anne Frank“, filme inspirado na jovem judia vítima do Holocausto.
O humanismo é a peça central deste conto também ele animado, o qual se passa entre fantasmas e amigos imaginários na Amesterdão atual, visitando igualmente o drama real da pequena Anne Frank, que juntamente com a sua família e tantos outros judeus sofreu com o Shoa, acabando por sucumbir no último ano da Segunda Guerra Mundial, no campo de concentração de Bergen-Belsen, Alemanha, referido por aqui como o temível “Este”.
A história de Frank é recontada ao público, mas o foco agora é Kitty, a amiga imaginária que na Amesterdão atual tenta descobrir o que aconteceu a Frank, partindo juntamente com um pequeno carteirista e o famoso diário para os locais onde a menina passou nas mãos dos nazis. Derradeiramente, o filme acaba por estabelecer um paralelismo entre os escritos de Frank e a situação atual dos refugiados, dando Folman uma lição de humanismo e uma crítica implícita à política de imigração europeia, em particular a holandesa, já que apesar de o nome da judia ter servido para nomear escolas, cinemas e até hospitais, as palavras que escreveu são esquecidas ou ignoradas por sucessivas políticas repressivas quer à imigração, quer ao asilo político.
Combinando fundos estáticos com clássicos e figuras em 2D, Folman incute ao seu filme um registo visual único e vigoroso, que adornado ainda por um toque de romance, além de toda a força política e histórica já mencionada, transformam este num objeto que certamente fará parte de muitos planos escolares de exibição, além de ter mais que qualidade para invadir as salas comerciais.



















