Sessões na Cinemateca – Escolhas de 3 a 8 de maio

(Fotos: Divulgação)

Iniciado em janeiro e interrompido a meio desse mês devido ao agravamento da pandemia, que levou ao encerramento temporário da Cinemateca, o ciclo “Clássicos do Cinema Coreano” é agora retomado, no ponto em que tinha ficado, com a programação dos restantes filmes inicialmente programados. Trata-se de uma colaboração com a Embaixada da República da Coreia por ocasião do 60º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas com Portugal. A Coreia do Sul tornou-se, a partir dos anos 1990, um grande centro de produção cinematográfica, mas antes desse período a indústria sul-coreana já contava com grandes obras de cinema, ainda pouco reconhecidas nos dias de hoje. Os filmes que compõem este ciclo, realizados entre 1948 e 1993, permitem-nos vislumbrar o itinerário seguido pelo cinema durante os mais de quarenta anos entre a fundação do Estado sul-coreano (após a Guerra da Coreia) e o reconhecimento internacional do cinema do país. Antes da linguagem difusa e oblíqua que caracteriza as obras dos grandes cineastas sul-coreanos contemporâneos, foram seguidos outros percursos formais, que poderemos descobrir nesta retrospetiva.

O outro grande programa que é retomado este mês (mas que acabou por ser reduzido, dado que inicialmente tinha sido pensado para um período mais alargado) insere-se no quadro da programação cultural da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia do primeiro semestre de 2021. O foco é a presença do mar no cinema europeu, de Portugal à Europa de Leste, do cinema mudo ao cinema contemporâneo. “Os Mares da Europa” é um ciclo que dá conta de como a temática marítima alimentou de forma profunda muita da melhor ficção e do melhor documentário europeu, servindo tanto como centro dessas narrativas como de elemento plástico e poético inextricável dessas obras. O que veremos é como a diversidade da geografia e da história de cada país europeu assume relações distintas com o mar.

Durante este mês de maio a Cinemateca celebra ainda o centenário do nascimento de Deborah Kerr, uma das figuras mais reconhecidas do cinema americano dos anos 1950 e 1960, para onde emigrou depois do sucesso dos seus primeiros filmes britânicos. A carreira desta atriz, que começou por ser bailarina clássica, acabou relativamente cedo: aos 48 anos, Kerr praticamente desapareceu de cena, desencantada com o cinema e com os papéis que lhe ofereciam, voltando-se para o teatro. No ciclo “Deborah Kerr – Até à Eternidade” será dada a ver a versatilidade desta atriz, apta a manejar vários géneros sem sair da mesma personagem e do mesmo filme, e conhecida pelo seu porte distintamente aristocrático.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 3 a 8 de maio:

– F.P. 1 Antwortet Nicht (I.F. 1 Não Responde, 1932) – Segunda-feira, 3 de maio, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro // Sábado, 8 de maio, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Produzido por Erich Pommer, este filme de Karl Hartl foi a maior aposta comercial dos estúdios UFA em 1932 e inscreve-se na categoria do cinema de “antecipação” científica de então, apoiada em dados científicos verosímeis, à volta de uma gigantesca plataforma no Atlântico, misto de porta-aviões e de plataforma petrolífera. Uma história de espionagem num gigantismo cénico herdeiro de “Metropolis” (1927). Uma obra maior, injustamente esquecida e que a Cinemateca já exibiu entre os melhores filmes do século.

– An Affair to Remember (O Grande Amor da Minha Vida, 1957) – Quinta-feira, 6 de maio, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro. Cary Grant e Deborah Kerr interpretam as personagens que couberam a Charles Boyer e Irene Dunne na primeira versão deste filme, que Leo McCarey dirigiu em 1939, “Love Affair”, e que, como esta versão, se tornou um filme de culto. Trata-se de uma das mais românticas histórias de amor que o cinema nos mostrou e que até hoje não mais deixou de ser citada ou filmada em novas versões. Uma demonstração da versatilidade de Kerr, que é tão capaz de fazer rir como de fazer chorar.

– Obaltan (Bala Sem Destino, 1961) – Quinta-feira, 6 de maio, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Nos anos 1960, devido às restrições à distribuição de filmes estrangeiros, muitos realizadores coreanos fizeram um número abundante de filmes. Yoo Hyen-mok, o realizador de “Obaltan”, assinou nada menos de 41 filmes, dos quais este é o oitavo. Trata-se de um clássico, considerado como uma das obras-primas do cinema coreano. Realizado apenas oito anos depois do fim da guerra que dividiu o país, o filme aborda a reconstrução da sociedade coreana através de um núcleo familiar, formado pela mãe idosa e que perdera a razão devido à guerra, um filho que trabalha, outro que não encontra trabalho e a filha, reduzida à condição de prostituta ocasional. A narrativa nada tem de agitada, tem um ritmo regular e uma forma complexa, num filme que também tem como personagem uma metrópole, mostrada em vários dos seus aspetos (ruas noturnas, escritórios, um bairro de lata). Uma obra sombria e magnífica, que conheceu problemas com a censura coreana à época.

– Song of the Sea (Canção do Mar, 2016) – Sábado, 8 de maio, 19h00, Salão Foz. Este filme é um canto de sereia que nos embala sem nos atraiçoar, com o traço belíssimo de Tomm Moore. Trata-se de um conto de fadas inspirado no folclore irlandês, em que os irmãos Ben e Saoirse despertam todos os seres mágicos da velha Irlanda de um longo sono. Desde a trágica morte da mãe que os irmãos vivem com o pai num grande farol junto ao mar. A pequena Saoirse é uma selkie, uma criatura mágica que vive no mar como foca e na terra como humana e tem um papel importante: ajudar os seres mágicos a libertar-se do domínio cruel da bruxa Macha. Os dois embarcam numa aventura onde terão de enfrentar os seus medos mais profundos para que todas estas criaturas encantadas possam recuperar a própria liberdade. O filme foi nomeado para o Oscar de Melhor Filme de Animação.

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