Sessões na Cinemateca – Escolhas de 11 a 14 de janeiro (Atualização)

(Fotos: Divulgação)

Atualização: Dado o novo confinamento geral anunciado pelo Governo português, que decreta o encerramento dos equipamentos culturais a partir de 15 de janeiro, a Cinemateca Portuguesa encontra-se fechada a partir dessa data. Toda a programação será suspensa e adiada para data ainda indefinida.

Novo ano, nova programação. A Cinemateca Portuguesa inaugura 2021 com uma homenagem a Sean Connery, a estrela escocesa que faleceu em outubro passado, aos 90 anos. Connery não foi só um dos mais populares atores do último meio século, foi também um ator que conservou essa popularidade durante muito mais tempo do que é habitual, continuando, bem para lá dos 60 anos, a ser cabeça de cartaz em diversos filmes de grande impacto. Claro que a sua encarnação de James Bond, o agente secreto criado por Ian Fleming, é um marco – para a carreira de Connery, e para a carreira cinematográfica de 007, que depois passou por diversos atores sobre quem a sombra de Connery, o “original”, nunca deixou de pesar. Mas não se pode resumir a 007 a carreira deste ator, que é celebrada ao longo do mês de janeiro.

Outro grande ciclo que abre o ano intitula-se “Clássicos do Cinema Coreano” e trata-se de uma colaboração com a Embaixada da República da Coreia, por ocasião do 60º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas com Portugal. Mais conhecida por Coreia do Sul, este país tornou-se, a partir dos anos 1990, um grande centro de produção cinematográfica, mas antes desse período o cinema sul-coreano já contava com grandes obras de cinema, mas ainda pouco reconhecidas nos dias de hoje. Os filmes que compõem esta secção, realizados entre 1948 e 1993, permitem-nos vislumbrar o itinerário seguido pelo cinema durante os mais de quarenta anos que medeiam entre a fundação do Estado sul-coreano (após a Guerra da Coreia) e o reconhecimento internacional do cinema do país. Antes da linguagem difusa e oblíqua que caracteriza o cinema dos grandes nomes do cinema sul-coreano contemporâneo, o cinema do país seguiu outros percursos formais, que poderemos descobrir nesta retrospetiva.

Por fim, em janeiro inicia-se também um programa que se insere no quadro da programação cultural da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia do primeiro semestre de 2021. O foco é a presença do mar no cinema europeu, de Portugal à Europa de Leste, do cinema mudo ao cinema contemporâneo. “Os Mares da Europa” é um programa que dá conta de como a temática marítima alimentou de forma profunda muita da melhor ficção e do melhor documentário europeu, servindo tanto como centro dessas narrativas como de elemento plástico e poético inextricável dessas obras. O que veremos é como a diversidade da geografia e da história de cada país europeu assume relações distintas com o mar. Este ciclo irá prolongar-se até aos primeiros dias de fevereiro.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 11 a 16 de janeiro:

Hanyeo (A Criada, 1960) – Segunda-feira, 11 de janeiro, 15h00, Sala M. Félix Ribeiro. Este grande clássico do cinema coreano foi definido por Hong Sang-soo como uma mistura de “drama, melodrama e filme de horror. Também é um melodrama criminal, que lida com o desejo sexual feminino e um comentário social e político”. Nona das 23 longas-metragens assinadas por Kim Ki-young (1919-1998), o filme conta a história, baseada num facto real, de uma criada que parece sofrer de perturbações mentais e é engravidada pelo patrão, que a convence a rolar pela escada abaixo para interromper a gravidez. A mulher submete-se, mas urde uma vingança terrível. A mise en scène, da mais alta mestria, faz com que narrativa flua, conduzida por uma câmara ágil e precisa. O filme teve o seu desenlace original, considerado demasiado chocante, alterado pela censura. Foi também objeto de um remake, em 2010, por Sang-soo Im.

– The Hill (A Colina Maldita, 1964) – Segunda-feira, 11 de janeiro, 20h00, Sala M. Félix Ribeiro. O inferno de um campo disciplinar militar britânico, na África do Norte nos finais da Segunda Guerra Mundial. Como Sísifos modernos, os condenados são obrigados a subir e descer uma colina artificial com as pedras que a formam, vigiados por um sargento sádico que provoca a morte de um deles e leva à revolta. Um dos melhores filmes de Sidney Lumet e o primeiro grande papel dramático de Connery.

The Untouchables (Os Intocáveis, 1987) – Quarta-feira, 13 de janeiro, 17h30, Sala M. Félix Ribeiro. Após uma prolífica carreira, Sean Connery conquistou finalmente um Oscar nesta adaptação de Brian De Palma da série televisiva do mesmo nome, que encena a luta tenaz do agente do FBI Elliott Ness e do seu grupo de “intocáveis” contra o império do crime de Al Capone. Connery tem uma truculenta composição na figura do polícia irlandês que faz parte do grupo de Ness, e De Niro é irresistível na sua criação como Capone.

(CANCELADA) Sopyonje (1993) – Sábado, 16 de janeiro, 17h30, Sala M. Félix Ribeiro. Nascido em 1936, Im Kwon-taek realizou mais de cem filmes. Sopyonje foi um gigantesco êxito de bilheteira, atraindo mais de um milhão de espectadores só na área urbana de Seul. O filme conta a história de um grupo de intérpretes de pansori, género musical clássico coreano, com um cantor ou cantora e um percussionista, música que destila um sentimento de tristeza. O grupo sai pelas estradas e é confrontado com o choque entre o velho e o novo, entre a música que interpretam e o mundo contemporâneo. Um filme sobre a herança e os valores no mundo globalizado. A 23 de janeiro, sábado, pelas 15h00 e na Sala M. Félix Ribeiro, dar-se-á uma segunda projeção.

(CANCELADA) The Man Who Would Be King (O Homem Que Queria Ser Rei, 1975) – Sábado, 16 de janeiro, 20h00, Sala M. Félix Ribeiro. A adaptação do romance de Rudyard Kipling foi uma ideia durante longos anos acarinhada por John Huston, que na década de 50 pensou neste filme para Humphrey Bogart e Clark Gable. As personagens dos dois soldados britânicos que partem à conquista de um reino e da glória, no século XIX, viriam a ser encarnadas aqui por Sean Connery e Michael Caine. Este é um filme que mantém o sopro épico dos grandes clássicos de aventuras.

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