O último mês do ano viu chegar à Cinemateca a terceira e derradeira parte do ciclo que desde o princípio de 2020 nos tem guiado pelos caminhos da comédia. Nesta instalação dedicada a “Revisitar os Grandes Géneros” afastámo-nos do género para nos aproximarmos do fenómeno que lhe está mais diretamente associado: o riso. O que acontece no cinema quando é no ecrã que o riso se instala? Esta foi a pergunta que guiou a programação, resultando numa coleção eclética de risos, esgares e gargalhadas. A fechar o ano contamos ainda com o regresso do ciclo “O Que Quero Ver”, dedicado à projeção de filmes solicitados pelos espetadores da Cinemateca.
Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na última semana do ano:
– He Who Gets Slapped (O Palhaço, 1924) – Segunda-feira, 28 de dezembro, 20h00, Sala M. Félix Ribeiro, com acompanhamento ao piano por Filipe Raposo. O segundo filme americano de Victor Sjöström é a primeira grande produção da MGM, que adaptou uma peça russa situada no meio do circo, que fora um grande sucesso na Broadway. A história trata o tema da decadência de um professor que se transforma em palhaço por causa de uma mulher. O riso (dos outros) como expiação e humilhação supremas.
– Ivan Grozny (Ivan o Terrível 1ª e 2ª Partes, 1943-45) – Terça-feira, 29 de dezembro, 18h00, Sala M. Félix Ribeiro. O último filme de Eisenstein é uma das obras-primas absolutas de toda a história do cinema. Dividido em duas partes, o filme descreve o itinerário do czar, que vai da pureza adolescente até à mais absoluta tirania. A profundidade de foco, o uso das sombras e das luzes, a fusão entre a música de Prokofiev e os diálogos criam um filme de indescritível beleza, que também é uma reflexão política. Ao grande teatro histórico encenado por Eisenstein, diretamente influenciado por figuras e arquétipos da dramaturgia clássica, não podia faltar um bobo, expressão de um sarcasmo comentador. Proibida por ordem pessoal de Estaline, que bem percebeu a analogia entre o czar e a sua pessoa, a segunda parte do filme só foi mostrada em público em 1958, dez anos depois da morte do realizador.
– Yabu No Naka No Kuroneko (O Gato Preto do Túmulo, 1968) – Quarta-feira, 30 de dezembro, 15h00, Sala M. Félix Ribeiro. O fantástico e o terror encarnados em filme. Uma mulher e a filha são brutalmente violadas e assassinadas por soldados durante os tempos das guerras civis japonesas. Mais tarde, uma série de samurais, que regressa da guerra naquela região, é encontrada misteriosamente assassinada com as gargantas dilaceradas. Um dos mais impressionantes filmes de terror jamais feitos, e um dos mais aclamados de Kaneto Shindō.

