Sessões na Cinemateca – Escolhas de 6 a 10 de outubro

(Fotos: Divulgação)

Entre a retrospetiva a Roy Andersson, a secção “Duplos e Gémeos” dedicada a filmes cuja narrativa explora o tema do duplo, a colaboração com a 21ª Festa do Cinema Francês centrada na filmografia de Delphine Seyrig, e a programação paralela do MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa, esta é uma semana recheada na Cinemateca. Uma outra colaboração, desta feita com o DocLisboa e que nos levará numa viagem pelo cinema da Geórgia, só chegará na segunda metade do mês. Por enquanto, são muitos os filmes entre os quais escolher…

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 6 a 10 de outubro:

– En Karlekshistoria (Uma História de Amor, 1970) – Terça-feira, 6 de outubro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro. A primeira longa-metragem de Roy Andersson narra a história de Annika (Ann-Sofie Kylin) e Par (Rolf Sohlman), dois adolescentes idealistas a viver o seu primeiro amor. Resistindo à pressão e ao cinismo dos pais e às pressões sociais, o jovem casal cria a sua própria realidade, alheia às tensões do mundo adulto que os rodeia. Tendo conhecido um enorme sucesso à época de estreia, este drama social romântico tornou-se um filme de culto e assim permaneceu mesmo depois de Roy Andersson ter sido quase esquecido durante o longo silêncio que se impôs entre 1975 e 2000.

– Sånger från andra våningen (Canções do Segundo Andar, 2000) – Quinta-feira, 8 de outubro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro. Num fim de tarde tem lugar uma estranha série de acontecimentos ilógicos: um amanuense é despedido de modo degradante; um imigrante perdido é atacado violentamente numa rua movimentada; um ilusionista comete um erro no seu número… Quando “Canções do Segundo Andar” saiu do Festival de Cannes com o Grande Prémio do Júri, deixou a sensação de ali se ter redescoberto um autor singular, cujas pequenas histórias do quotidiano levadas ao limite do surreal evocavam simultaneamente o burlesco em câmara lenta de Jacques Tati, o absurdo dos Monty Python e o austero existencialismo nórdico. Um retorno assombroso de Roy Andersson.

Du Levande (Tu, Que Vives, 2007) – Quinta-feira, 8 de outubro, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro. Prolongando o estilo e a forma que definem inconfundivelmente os filmes de Roy Andersson a partir do início do século XXI, “Tu, Que Vives” aborda a grandeza e miséria, alegria e tristeza, autoconfiança e ansiedade humanas em micro-histórias contadas em plano fixo. Nas palavras de Andersson: “Rimos desse Homem mas também o choramos. É apenas uma comédia trágica ou uma tragédia cómica sobre nós próprios”.

Sois Belle et Tais-Toi! (1976) – Sexta-feira, 9 de outubro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. É o filme mais conhecido dos filmes desconhecidos de Delphine Seyrig realizadora, que aqui entrevista 24 atrizes sobre a sua experiência profissional, papéis desempenhados, relações com encenadores, realizadores e equipas de trabalho. Um retrato coletivo no feminino que reflete, em 1976, o balanço negativo de uma profissão que remete as mulheres a personagens estereotipadas num mundo dominado pelo imaginário masculino. Neste filme-ensaio eloquente encontram-se, entre as convocadas, Ellen Burstyn, Barbara Steele, Shirley MacLaine, Marie Dubois, Jane Fonda, Maria Schneider ou Anne Wiazemsky. A 12 de outubro, segunda-feira, pelas 15h30, o filme será projetado uma segunda vez na Sala M. Félix Ribeiro.

– En duva satt på en gren och funderade på tillvaron (Um Pombo Pousou num Ramo a Refletir na Existência, 2014) – Sexta, 9 de outubro, 22h00, Sala M. Félix Ribeiro. Como um D. Quixote e um Sancho Pança dos nossos tempos, Sam e Jonathan, dois caixeiros-viajantes vendendo artigos de diversão, levam-nos numa viagem caleidoscópica pelo destino dos humanos. Uma viagem que nos mostra a beleza de alguns momentos, a mesquinhez de outros, o humor e a tragédia que faz parte de nós, a grandeza da vida bem como a fraqueza da humanidade. Vagueamos por este fecho da “Trilogia dos Vivos”, iniciada com “Canções do Segundo Andar” e continuada com “Tu, Que Vives”, saboreando a beleza e o absurdo de estarmos aqui e agora, rodeados por outros demasiado iguais a nós. Leão de Ouro do Festival de Veneza.

– Baisers Volés (Beijos Roubados, 1968) – Sábado, 10 de outubro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro. Delphine Seyrig e Michael Lonsdale, que foram grandes cúmplices em palco e no ecrã, são um casal neste filme de François Truffaut, cineasta que aqui continua a filmar Jean-Pierre Léaud como Antoine Doinel, na sequência de “Les 400 Coups” e “Antoine et Colette”. Tido como o mais jubiloso Truffaut, o filme que “não conta nada de nada” (Truffaut) segue Doinel já com 20 anos de idade e recém-saído do exército, que dá por si detetive privado e alimentando uma paixão por Christine (Claude Jade). É o filme em que Seyrig surge a Léaud como uma “aparição” e com ele protagoniza três cenas e um monólogo inesquecíveis, explicando-lhe como é uma mulher. Os beijos são roubados à canção de Charles Trenet, “Que reste-t-il de nos amours?” que embala e titula o filme. Uma segunda sessão realizar-se-á a 12 de outubro, segunda-feira, pelas 21h30, na Sala M. Félix Ribeiro.

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