Sessões na Cinemateca – Escolhas de 22 a 27 de novembro

(Fotos: Divulgação)

Prosseguindo uma colaboração iniciada em 2011 com a Mostra Espanha, a Cinemateca associa-se este mês à CineFiesta – Mostra de Cinema Espanhol 2021, levada a cabo pelo Ministério da Cultura espanhol em colaboração com o Instituto Cervantes em Lisboa, com um programa de filmes recentemente restaurados pela Filmoteca Española, cujo diretor de programação, Carlos Reviriego, estará presente para apresentar as primeiras sessões do Ciclo.

Entretanto, “Siamo Donne” (à letra, “somos mulheres”), o ciclo coorganizado pela Cinemateca e pela Festa do Cinema Italiano, este ano na sua 14ª edição, continua a traçar uma genealogia das divas do cinema italiano, percorrendo cerca de 100 anos dessa cinematografia ao sabor dos nomes das suas atrizes mais consagradas. Para celebrar estas afamadas intérpretes, percorremos a evolução desta classe especial de atrizes desde as primeiras divas do mudo até às estrelas de décadas mais próximas de nós, passando pelas vedetas da “idade de ouro“ do cinema italiano dos anos de 1950 a 1970.

Ao mesmo tempo, o ciclo “Disponíveis para o Noir” retoma outro programa, apresentado em junho deste ano, intitulado “No Coração do Noir”, que se concentrava no fulcro do cinema clássico de Hollywood dos anos 1940 e 50. O que agora a Cinemateca propõe é uma viagem cronologicamente balizada entre 1947 e 1967 por um núcleo de títulos atraídos pelo noir nas cinematografias francesa, britânica e japonesa, que estiveram particularmente atentas ao subtexto e ao estilo de Hollywood.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 22 a 27 de novembro:

La Ciociara (Duas Mulheres, 1960) – Segunda-feira, 22 de novembro, 15h30, Sala M. Félix Ribeiro // Quarta-feira, 24 de novembro, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro. Vittorio De Sica e o escritor Cesare Zavattini reúnem-se para um filme que é, de certo modo, o último exemplo dos filmes italianos herdeiros do neorrealismo dos anos quarenta. Adaptado de um famoso romance de Alberto Moravia, conta a odisseia de uma mulher que, com a filha adolescente, foge de Roma para a Ciociara a fim de escapar aos bombardeamentos aliados de 1943. Retrato de uma vida difícil, ameaçada pelos combatentes e pelos desertores, que consagrou definitivamente Sophia Loren como atriz, valendo-lhe o Oscar de Hollywood e o prémio de melhor interpretação no Festival de Cannes de 1961.

Koroshi No Rakuin (A Marca do Assassino, 1967) – Segunda-feira, 22 de novembro, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro // Quinta-feira, 25 de novembro, 20h00, Sala Luís de Pina. Mais conhecido a Ocidente como Branded To Kill, é uma produção B da Nikkatsu, que na altura considerou o filme incompreensível, negando trabalho futuro a Seijun Suzuki (1923-2017). Com o tempo, conquistou o culto internacional como uma obra-prima brutal e hilariante da nova vaga japonesa. É um ponto alto do trabalho de Suzuki, cujo cinema é marcado pela artificialidade, e que aqui assume o confronto delirante entre a vanguarda e o noir. A história segue um assassino yakuza que tem o bizarro fétiche de cheirar arroz fumegante. De realçar o retrato de Tóquio em modernização, a geometria espacial, e a montagem elétrica.

Le Samouraï (Ofício de Matar, 1967) – Terça-feira, 23 de novembro, 21h30, Sala M. Félix Ribeiro // Sexta-feira, 26 de novembro, 20h00, Sala Luís de Pina. É a quintessência do estilo e do universo dramatúrgico de Jean-Pierre Melville, cineasta que a partir da segunda metade da década de 1950 intensificou a vertente noir do seu cinema, vindo da cinefilia americana e deveras pessoal na estilização e no âmago sombrio. Filmado com as cores luminosas e metálicas da fotografia de Henri Decaë, Le Samouraï é um policial abstrato com o toque romântico das personagens de Melville. De gabardina, chapéu e olhar distante, Alain Delon encarna a personagem solitária de Jeff Costello, assassino profissional, na sua mais icónica interpretação.

La Classe Operaia Va in Paradiso (1971) – Quarta-feira, 24 de novembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Parábola sobre a condição operária na Europa, nos tempos do pleno emprego. Um operário muito trabalhador é apreciado, por este motivo, pelos patrões, o que faz com que seja detestado pelos colegas. Depois de um acidente de trabalho, muda radicalmente de atitude e adere de corpo e alma às lutas sindicais, o que lhe trará grandes problemas. O filme, que teve êxito de crítica e bilheteira à época em que foi feito e valeu a Elio Petri a Palma de Ouro no Festival de Cannes, tem nas interpretações de Mariangela Melato e Gian Maria Volonté dois dos seus maiores trunfos. Na terça-feira, 30 de novembro, a sessão repetir-se-á pelas 19h00 na Sala M. Félix Ribeiro.

El Jefe Politico (1925) – Sexta-feira, 26 de novembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro, com acompanhamento ao piano e teremim por Miquel Busquet. Leopoldo Quintana é um advogado e político capaz de tudo para conseguir o que deseja. Usando chantagem e manobras duvidosas, é nomeado deputado, depois ministro e, finalmente, presidente do Conselho. A sua ambição sem medida acaba por provocar protestos sociais que acabarão por ditar a sua queda. Primeiro filme realizado em Espanha pelo prolífico cineasta francês André Hugon (que assinou quase cem filmes entre 1924 e 1952), este filme, também conhecido por La Reponse du Destin, adapta o romance O Cavaleiro Audacioso de José María Carretero, publicado dois anos antes, e que refletia a crise do sistema parlamentar que se estava a formar em Espanha.

Moonfleet (O Tesouro do Barba Ruiva, 1955) – Sábado, 27 de novembro, 15h00, Salão Foz. O universo de Stevenson, entre Treasure Island e Kidnapped, não teve melhor versão no cinema do que nesta obra-prima de Fritz Lang, que adapta o livro de outro escritor, J. Meade Falkner. Esta é a estranha história de um miúdo, órfão, que vai à procura do pai que não conhece à cidade de Moonfleet, onde se liga de amizade com um contrabandista (Stewart Granger). Juntos, partem à descoberta do fabuloso diamante do Barba Ruiva, escondido na cisterna de uma fortaleza. Um exemplo paradigmático do cinema gótico de Lang.

Nota: Ao longo desta semana vários filmes já sugeridos pelo C7nema em semanas passadas voltarão a ser exibidos uma segunda vez.

Últimas