Sessões na Cinemateca – Escolhas de 20 a 25 de setembro

(Fotos: Divulgação)

Em colaboração com o festival Queer Lisboa, cuja 25ª edição decorre em várias salas da capital e de Cascais entre 17 e 25 de setembro, a Cinemateca organiza um pequeno ciclo dedicado ao realizador Gus Van Sant. Nome maior do cinema americano contemporâneo, Van Sant (nascido em 1952) é um dos raros cineastas capazes de trabalhar alternadamente no cinema independente e no cinema mainstream. Com temáticas recorrentes como a homossexualidade e as subculturas americanas, a sua obra é considerada essencial para o cinema independente norte-americano do último quarto do século e tem entre as suas melhores características, que vêm da sua formação como artista plástico, o refinamento e a nitidez visual, a narrativa não linear e uma certa tendência para a abstração. Para além de uma seleção dos seus filmes, feita pelo próprio realizador, o programa inclui (também escolhido por Van Sant) uma grande obra de Andy Warhol, que reclama com uma das suas principais influências e o principal motivo da sua presença em Lisboa neste mês de setembro.

Ao mesmo tempo, a Cinemateca promove um ciclo sobre “O Cinema de Vichy – A França Ocupada (1940-44)”. Durante o período da ocupação pela Alemanha nazi foram realizados em França um total de 220 filmes, e este ciclo, que mostra exclusivamente filmes realizados entre junho de 1940 e agosto de 1944, dá um apanhado do que foi o cinema dito “de Vichy”, que ainda hoje continua a ser relativamente pouco conhecido, mas que merece reconhecimento.

Paralelamente, decorre ainda esta semana mais uma projeção especial sob o lema “Salvar a Cinemateca Brasileira!” – um programa quinzenal em que se projetam obras em homenagem ao Cinema Brasileiro, à instituição Cinemateca Brasileira e à sua história, e à atual equipa que a representa.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 20 a 25 de setembro:

My Own Private Idaho (A Caminho de Idaho, 1991) – Segunda-feira, 20 de setembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Terceira longa-metragem de Gus Van Sant e uma das suas maiores, o filme conta a história de inspiração shakespearana de dois prostitutos (um dos quais é de família rica e degrada-se para se vingar do pai, interpretado por Keanu Reeves), numa história profundamente triste, embora luminosa, de amor sem reciprocidade, filmada com muita imaginação e liberdade visual. É o filme que fez com que River Phoenix entrasse para a história do cinema.

O Som ao Redor (2012) – Segunda-feira, 20 de setembro, 21h30, Esplanada. Trata-se da primeira longa-metragem de Kleber Mendonça Filho. Situado num bairro abastado e realizado em scope, o filme mostra as suas personagens (os habitantes novos-ricos e os homens que fazem a segurança do bairro) num denso panorama mural, com diversas histórias simultâneas e pequenos incidentes. No desenlace, uma surpresa narrativa dá uma nova camada de sentido ao filme. Segundo o realizador, “o tema do filme é a inquietação”. Para “tornar palpável o sentimento de violência sem mostrar o ato de violência”, Kleber Mendonça Filho fez um extraordinário trabalho sobre o som off, a partir de mais de 60 horas de som gravado: o espaço do filme é compartimentado, mas o som invade cada uma destas divisões.

(SESSÃO CANCELADA) Chelsea Girls (1966) – Terça-feira, 21 de setembro, 21:00, Sala M. Félix Ribeiro. Com duas projeções simultâneas em split screen, Chelsea Girls é um dos mais célebres filmes de Andy Warhol e um verdadeiro clássico do cinema underground. É também um desfile de muitas das superstars do artista norte-americano, nomeadamente mulheres, e um retrato da cultura underground nova-iorquina. Entre elas encontramos Nico – para cuja imagem este filme foi determinante e a cujo primeiro disco a solo (Chelsea Girl) foi dado quase o mesmo nome.

Le Ciel Est à Vous (1943) – Quinta-feira, 23 de setembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Embora tenha começa a realizar filmes ainda no período mudo, Jean Grémillon realizou alguns dos seus filmes mais importantes durante o período da Ocupação. Le Ciel Est à Vous é um dos mais belos momentos de toda a sua obra. A mulher de um modesto garagista apaixona-se pela aviação e decide bater um record aéreo: ser a mulher a fazer o mais longo voo a solo. Por detrás desta história, inspirada na aviadora Andrée Dupeyron, perfila-se um apelo à obstinação, ao heroísmo sem ênfase, à paixão e, no contexto da França ocupada, à Resistência.

Elephant (2003) – Sexta-feira, 24 de setembro, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro, com a presença de Gus Van Sant. Tomando como ponto de partida o massacre de Columbine, quando dois adolescentes dizimaram dezenas de pessoas num liceu do Colorado, Gus Van Sant fez uma ficção de uma frieza quase clínica, que reconstitui o dia do massacre, sob diversos pontos de vista: das futuras vítimas, dos sobreviventes e dos assassinos. Sem jamais apelar para o voyeurismo ou o sadomasoquismo do espectador, nos antípodas da banalização da violência no cinema americano, com as qualidades plásticas que caracterizam o melhor cinema do realizador, Elephant lança sobre a realidade que nos cerca um olhar que causa um autêntico calafrio. Foi a Palme D’or em Cannes em 2003.

The Incredible Shrinking Man (O Sentenciado, 1957) – Sábado, 25 de setembro, 15h00, Salão Foz. É uma das obras-primas da ficção científica dos anos cinquenta, com notáveis efeitos especiais e um clima de angústia raras vezes alcançado no género. Um homem é exposto a uma nuvem radioativa e descobre que vai “encolhendo” a pouco e pouco. Cada vez mais pequeno, acaba por ter de lutar pela vida, enfrentando primeiro um gato e, depois, uma aranha, até “desaparecer” no “infinitamente pequeno”.

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