Sessões na Cinemateca – Escolhas de 23 a 28 de agosto

(Fotos: Divulgação)

Este ano, a colaboração entre a Cinemateca Portuguesa e o festival IndieLisboa, que se encontra na sua 18ª edição, desdobra-se em duas secções: “Director’s Cut” e “Director’s Cut em Contexto”. Na primeira secção exibem-se filmes novos que mergulham na memória do cinema como principal inspiração e matéria-prima, bem como filmes que retrabalham o património visual cinematográfico, razão pela qual se concebeu a secção “Director’s Cut em Contexto”, no âmbito da qual se mostram alguns desses filmes originais que hoje servem de ponto de partida para novas obras cinematográficas. É portanto em rima que se projetam estes filmes que vão desde os anos 1930 até aos dias de hoje.

Estas são as nossas sugestões para as sessões a decorrer na semana de 23 a 28 de agosto:

Ostatni Etap (Última Etapa, 1948) – Segunda-feira, 23 de agosto, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Conhecida pelos seus trabalhos sobre o Holocausto, a polaca Wanda Jakubowska levou para o cinema a sua própria experiência. Ostatni Etap, uma das primeiras representações cinematográficas ficcionadas da vida nos campos de concentração, tornou-se num testemunho poderoso e numa influência frequentemente citada. Filmado no próprio campo de Auschwitz, o filme segue o destino de prisioneiras de várias origens étnicas e da sua luta para sobreviver.

Lotte Eisner, Un Lieu, Nulle Part (2021) – Terça-feira, 24 de agosto, 19h00, Sala M. Félix Ribeiro. Lotte Eisner foi jornalista, colaboradora de Henri Langlois na Cinemateca Francesa e autora do lendário livro L’Écran démoniaque (1952), sobre o cinema expressionista alemão, para além dos famosos estudos sobre Fritz Lang e F.W. Murnau. Sendo admirada por realizadores e cinéfilos, permanece ainda uma figura menos conhecida do que mereceria, algo que este filme de Timon Koulmasis quer emendar através da recuperação de imagens de arquivo do percurso de Eisner desde a Alemanha até Paris (onde se radicou com a ascensão do nazismo), de excertos dos filmes que analisou e de entrevistas recentes a figuras que a conheceram, como Wim Wenders e Werner Herzog.

Tabu (1931) – Terça-feira, 24 de agosto, 21h30, Esplanada. O último filme de Friedrich W. Murnau, feito em vaga e discutida colaboração com Robert Flaherty. Situado na Polinésia, Tabu narra a história trágica em que o amor se confronta com costumes ancestrais. Uma jovem é consagrada aos deuses tornando-se “tabu”. A quebra deste implica a punição. Ao fatalismo e sensualidade junta-se uma poética mítica, numa das grandes obras-primas do cinema.

O Sangue (1989) – Quarta-feira, 25 de agosto, 21h30, Esplanada. Primeira obra de Pedro Costa, O Sangue é um perturbante filme marcado por ecos noturnos, captados num preto e branco escuro como a noite em que maioritariamente decorre, para dar a ver os fantasmas que acompanham as personagens dos dois irmãos e da rapariga que a eles se junta. Pedro Hestnes abre o filme num dos mais belos planos do cinema português, enquanto Luis Miguel Cintra interpreta a personagem do tio.

Hopper/Welles – Sexta-feira, 27 de agosto, 21h30, Esplanada. Filip Jan Rymsza, que já tinha produzido The Other Side of the Wind – o lendário filme inacabado de Orson Welles estreado em 2018 por intervenção da Netflix –, regressou a materiais filmados por Welles e deu-lhes uma forma “acabada”. Filmado em 1970, Hopper/Welles é o registo de uma longa conversa entre Welles e o ator e realizador Denis Hopper (na altura a gozar a fama de Easy Rider). Nas duas horas deste documentário, os dois travam um intenso duelo verbal, questionando-se sobre a natureza do seu trabalho, a questão da violência na política e no cinema americanos, entre outros temas. Dia 31 de agosto, terça-feira, o filme voltará a ser exibido, pelas 21h30 na Esplanada.

Os Verdes Anos (1963) – Sábado, 28 de agosto, 21h30, Esplanada. Nas palavras do realizador, esta “é a história da iniciação de dois jovens provincianos nos problemas da cidade e do amor”. Este é o primeiro filme de Paulo Rocha, que lança um olhar desencantado, terno e amargo sobre Lisboa. O filme, juntamente com Belarmino, de Fernando Lopes, marcou o arranque do Cinema Novo Português e o começo de uma nova geração de atores e técnicos do cinema português, sendo ainda a primeira das produções portuguesas Cunha Telles. Com diálogos de Nuno de Bragança, é também indissociável do tema original de Carlos Paredes, na sua primeira composição para cinema. Premiado no festival internacional de cinema de Locarno, onde se estreou em 1964, Os Verdes Anos é um surpreendente filme português.

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