Estalou a guerra entre os estúdios e os donos dos cinemas

(Fotos: Divulgação)
Uma coisa é certa. Esta edição da CinemaCon está a ficar marcada por algumas decisões que poderão mudar o cinema para sempre. E se James Cameron quer alterar as frames por segundo dos filmes, de maneira a conseguir melhores resultados no 3D, a Fox, a Warner e a Universal deixaram a ideia de que brevemente vão passar a lançar as suas películas no Video-On-Demand (VOD) apenas duas semanas depois de as obras estrearem em sala.
 
Ora isto para o público até pode parecer uma ideia interessante, especialmente se viverem longe das grandes cidades e não tiverem acesso a todos os filmes. Porém, há quem esteja furioso, e até com uma certa razão. Os que odeiam a “novidade” são os proprietários das salas de cinema.
 
Acabados de serem convencidos a adaptarem as suas salas à era digital, os cinemas assistem agora à chegada de um novo concorrente, que certamente lhes irá causar mossa nas receitas. Ao se baixar a janela entre as estreias no cinema, e a chegada à TV, muitas pessoas certamente terão em conta que podem ver os filmes em casa, e de forma legal, o que acaba com aquela velha desculpa da pirataria que “só se tirou o filme da Internet porque não havia outra maneira de a ver”.
 
Por outro lado, não se pense que o custo do novo serviço será o semelhante ao de uma ida ao cinema. Estima-se que cada filme custe cerca de 30 dólares nos EUA, e na Europa (brevemente) se aproxime dos 25 euros.
 
Curiosamente, e numa experiência que passou um pouco despercebida no nosso país, Portugal testou este sistema, como aqui escrevi há uns tempos atrás. O filme “Tangled”, da Disney, estreou em VOD em Portugal seis semanas apenas da sua chega ao cinema. De acordo com o Hollywood Reporter, menos de mil pessoas aderiram ao aluguer via a box da TV Cabo e aceitaram pagar os 24.99 euros para ver o filme. 
Este resultado foi considerado fraco pela publicação norte-americana, mas serviu para tirar algumas ilações. Uma delas é que “Tangled” foi mesmo uma obra muito vista em cinema, e por isso o serviço não afectou particularmente as salas de espectáculo. Porém, e nos EUA, este exemplo poderia ter se revelado mais avassalador para as salas. E por isso não se admirem se brevemente, e depois de ter havido a mítica greve dos argumentistas, surgir uma greve das salas de cinema, cada vez mais pressionadas a investir nas novas tecnologias, e cada vez mais afectadas pela pirataria, e fracassos arrasadores de bilheteira.
Quem já se manfestou contra esta decisão foi Todd Phillips, realizador de “A Ressaca”. O cineasta foi bastante cáustico e afirmou que se quisesse fazer filmes para o pequeno ecrã tinha escolhido ser realizador de TV.
O certo é que esta foi uma voz, mas certamente muitas seguirão este caminho. A polémica está lançada…
 
Jorge Pereira

Fonte: The Wrap 

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