Urso de Ouro aposta na renovação autoral

(Fotos: Divulgação)

A apostar na renovação do conceito de autoria fílmica, numa repetição do esforço de escavar novos nomes autorais, como já acontecera em 2025, a curadoria da 76.ª edição da Berlinale (que decorre de 12 a 22 de Fevereiro) deixou de lado as vedetas habituais da Europa e da Ásia e apresenta uma selecção de talentos mais jovens que se afirmaram ao longo dos últimos 25 anos. Um dos poucos realizadores em competição a ter ultrapassado os 60 anos é o brasileiro do Ceará Karim Aïnouz, consagrado com o Prémio Un Certain Regard de Cannes por A Vida Invisível (2019). O cineasta entra agora no certame alemão com Rosebush Pruning (2026), que conta com um elenco de peso: Pamela Anderson, Tracy Letts, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell e Elle Fanning. Espécie de releitura do filme de culto I Pugni in Tasca (1965), de Marco Bellocchio, a obra filmada por Aïnouz retrata a atomização de uma família que se desagrega após a morte da matriarca, interpretada por Pamela Anderson.

Não há nenhuma longa-metragem portuguesa em competição, mas a Europa está bem representada pela Áustria, com Rose (2026), de Markus Schleinzer, pela Finlândia, com Nightborn (2026), de Hanna Bergholm, e pela Bélgica, com Dust (2026), de Anke Blondé.

Assumindo-se como uma entusiasta da animação japonesa, a Berlinale — cuja curadoria é liderada sob a direcção artística de Tricia Tuttle — acolhe na competição a fantasia A New Dawn (2025), de Yoshitoshi Shinomiya. Nesta combinação de fantasia e melodrama, o jovem Keitaro vive numa fábrica de fogo-de-artifício prestes a encerrar. Determinado a desvendar o mistério do Shuhari, um fogo-de-artifício mítico criado pelo pai antes de desaparecer sem deixar rasto, Keitaro tenta lançá-lo antes do encerramento definitivo da fábrica. Trata-se da primeira vez, desde 2023, que um filme de animação regressa à competição oficial.

Nomes como Kornél Mundruczó, com At the Sea (2026), Alain Gomis, com Dao (2026), Emin Alper, com Kurtuluş (2026), Angela Schanelec, com Meine Frau weint (2026), e Fernando Eimbcke, com Moscas (2026), dão dimensão a um certame que apenas na secção Perspectives integra uma coprodução portuguesa. Trata-se de Nosso Segredo (2026), assinado pela brasileira Grace Passô, um drama intimista sobre o luto numa família.

A sessão de abertura da Berlinale foi entregue a No Good Men (2026), da realizadora afegã Shahrbanoo Sadat, centrado nos conflitos vividos por uma operadora de câmara em Cabul. Antes da sessão inaugural, a 12 de Fevereiro, Michelle Yeoh será distinguida com o Urso de Ouro Honorário pelo conjunto da sua carreira.

COMPETIÇÃO

  • At the Sea — Kornél Mundruczó (EUA / Hungria)
  • Dao — Alain Gomis (França / Senegal / Guiné-Bissau)
  • Dust — Anke Blondé (Bélgica / Polónia / Grécia / Reino Unido)
  • Etwas ganz Besonderes (Home Stories) — Eva Trobisch (Alemanha)
  • Everybody Digs Bill Evans — Grant Gee (Irlanda / Reino Unido)
  • Gelbe Briefe (Yellow Letters) — İlker Çatak (Alemanha / França / Turquia)
  • Josephine — Beth de Araújo (EUA)
  • Kurtuluş (Salvation) — Emin Alper (Turquia / França / Países Baixos / Grécia / Suécia / Arábia Saudita)
  • The Loneliest Man in Town — Tizza Covi & Rainer Frimmel (Áustria)
  • Meine Frau weint (My Wife Cries) — Angela Schanelec (Alemanha / França)
  • Moscas (Flies) — Fernando Eimbcke (México)
  • A New Dawn — Yoshitoshi Shinomiya (Japão / França)
  • Nina Roza — Geneviève Dulude-de Celles (Canadá / Itália / Bulgária / Bélgica)
  • Queen at Sea — Lance Hammer (Reino Unido / EUA)
  • Rosebush Pruning — Karim Aïnouz (Itália / Alemanha / Espanha / Reino Unido)
  • Rose — Markus Schleinzer (Áustria / Alemanha)
  • Soumsoum, la nuit des astres — Mahamat-Saleh Haroun (França / Chade)
  • À voix basse (In a Whisper) — Leyla Bouzid (França / Tunísia)
  • Wo Men Bu Shi Mo Sheng Ren (We Are All Strangers) — Anthony Chen (Singapura)
  • Wolfram — Warwick Thornton (Austrália)
  • YO Love Is a Rebellious Bird — Anna Fitch & Banker White (EUA)
  • Yön Lapsi (Nightborn) — Hanna Bergholm (Finlândia / Lituânia / França / Reino Unido)

PERSPECTIVES

  • 17 — Kosara Mitic (Macedónia do Norte / Sérvia / Eslovénia)
  • Animol — Ashley Walters (Reino Unido)
  • Chronicles From the Siege — Abdallah Alkhatib (Argélia / França / Palestina)
  • El Tren Fluvial (The River Train) — Lorenzo Ferro & Lucas A. Vignale (Argentina)
  • Filipiñana — Rafael Manuel (Singapura / Reino Unido / Filipinas / França / Países Baixos)
  • Forêt Ivre (Forest High) — Manon Coubia (Bélgica / França)
  • Hangar rojo (The Red Hangar) — Juan Pablo Sallato (Chile / Argentina / Itália)
  • Der Heimatlose (Trial of Hein) — Kai Stänicke (Alemanha)
  • Nosso segredo (Our Secret) — Grace Passô (Brasil / Portugal)
  • A Prayer for the Dying — Dara Van Dusen (Noruega / Grécia / Reino Unido / Suécia)
  • Take Me Home — Liz Sargent (EUA)
  • Truly Naked — Muriel d’Ansembourg (Países Baixos / Bélgica / França)
  • Where To? — Assaf Machnes (Israel / Alemanha)


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