The Story of Plastic – um verdadeiro filme de terror

Documentário sobre o plástico exibido no CPH:DOX e agora no Discovery revela a pandemia que ninguém quer abordar

(Fotos: Divulgação)

O mundo cada vez mais vive e usa substâncias derivadas do plástico (e consequentemente do petróleo) para acomodar os alimentos e produtos do dia a dia, de tal maneira que mais de metade do plástico que foi criado no mundo até hoje foi feito nos últimos 15 anos. Desse material de plástico, apenas 14% segue para uma eventual reciclagem, e daí apenas 2% é efetivamente reciclado. Uma tragédia real, pois para onde segue o restante? 

Na verdade, o que o documentário de The Story Of Plastic de Deia Schlosberg nos mostra é o interesse exacerbado de poderosas indústrias (as petrolíferas para não variar) em escoar o plástico para outras indústrias usarem-no como recipiente preferencial (e barato) para a venda dos seus produtos, um negócio que vai até contra as próprias ideias da economia, pois neste caso específico não é a procura que condiciona a oferta, mas a oferta que comanda tudo. Todos sabemos disso quando passamos por um supermercado comum (esqueçam os gourmet e “naturais”). Não é possível de todo comprar um refrigerante, leite, pacote de batatas fritas, pasta dos dentes ou shampoo sem que este venha numa embalagem ou simples proteção “higiénica” de plástico. Na verdade, o plástico entope e é o embrulho preferencial do dia a dia, e encontra-se em todo o lado, desde a cápsula de café à do detergente para máquina de lavar, passando pelos sacos, agora “armadilhados” com um imposto ecológico neles, mas que continuam a venda e a entupir sucateiras.

Trabalho de grande abrangência que viaja por todos os continentes, desenrodilha o novelo do plástico nas suas várias dimensões, começando nas petrolíferas, as grandes beneficiadas com tudo isto; e depois passa para o destino final das embalagens, que quando não acabam no mar ou em terra plantados a céu aberto, ou mesmo enterradas, são trabalhadas na Ásia, o local primordial para onde os países europeus e norte-americanos enviam os seus restos, o seu lixo de plástico/embalagens para a mão barata que existe nestes países separarem o que se pode ou não reciclar. 

Um documentário alarmante, assustador e totalmente urgente para se perceber a inaptidão total dos governos em travar a produção de plástico, preferindo eles manter vínculos primordiais de crescimento económico baseados em energia fóssil e passar para os  homens e mulheres comuns (99,9% do mundo) a responsabilidade de comprarem ou não produtos envoltos nele, como se tivéssemos uma alternativa, como já expliquei mais acima, quando vamos ao supermercado.

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