Chega hoje ao MOTELx uma das obras choque da última Berlinale, Der Goldene Handschuh (O Bar Luva Dourada)

Pedindo emprestado o seu título ao nome de um bar em Hamburgo, na Alemanha, que, entre 1970 e 1975, tornou-se o local privilegiado para um serial killer escolher as suas presas, o mais recente filme do realizador de obras como Head On – A Esposa Turca ou Uma Mulher Não Chora segue de perto os eventos em torno de tenebroso psicopata que aterrorizou a cidade alemã: Fritz Honka.
“Um monstro da nossa realidade“, disse Fatih Akin na Berlinale, sobre esta criatura que esquartejou quatro mulheres, entre 1970 e 75, e guardou os seus corpos em decomposição no apartamento onde vivia.
O Cinema de terror

“Tornei-me realizador por causa do cinema de terror“, explicou o cineasta, acrescentando as dificuldades em fazer este género de filmes no seu país: “Na Alemanha, não fazemos filmes de género. Fazemos cinema de autor. Escreves e realizas a coisa e pronto. Fazer filmes de género é algo dificil por aqui. É uma coisa americana. E como fazes um filme de género sem copiar os americanos? Como fazes a tua própria coisa? Primeiro tenho de acreditar no que faço, tenho de me assustar a mim a próprio (…) Eu gosto de ver as coisas da Blumhouse e da New Line, mas não me assusta. Tens um jump scare, uhhh… isso não me assusta. Quem me assusta são os austríacos, o Haneke e o Seidl. Eles assustam-me imenso.“
Baseado na obra literária homónima de Heinz Strunk, Akin confessou que é um grande fã de Der Goldene Handschuh e que uma das suas maiores dificuldades foi transportar “este monstro” assassino para o cinema: “De alguma maneira, o Strunk deu-lhe alguma dignidade na novela. As vítimas e o assassino têm a sua dignidade e para mim isso foi um desafio, pois não sabia se estava preparado para essa tarefa, se como cineasta teria a capacidade técnica para conseguir isso“.
Já Struk, que também esteve presente na Berlinale na apresentação do filme, disse que a versão cinematográfica foi bem sucedida e que Fatih Akin seria mesmo a sua primeira escolha se ele tivesse tido o poder de escolher que cineasta filmaria o seu trabalho.
A violência sexual e o grafismo

“Vivemos tempos em que temos uma discussão sobre a violência sexual. Se fazes um filme sobre violência sexual, tens de a mostrar. Mas como a mostras? Como trabalho com a câmara? E como lido com a violência? Eu não estou a celebrar a violência, eu mostro a violência de uma forma em que ela é incomodativa. “

