Joaquin Phoenix e o seu Joker: “Queria alguém não identificável por um psiquiatra”

(Fotos: Divulgação)

Em Joker seguimos Phoenix como Arthur Fleck, um comediante em dificuldades cujos desaires profissionais e pessoais levam-no a tornar-se numa figura niilista e assustadora.

Não é um filme político“, mas “a falta de empatia” que Todd Phillips sentia que não havia no mundo em 2017 inspirou a construção do seu Joker, projeto que serviu para contar as origens do famoso vilão de Gotham, partindo o cineasta com enorme liberdade para essa construção pela ausência de uma verdadeira base nas comics para essa história.

O Joker, como personagem, nos comics, nunca teve uma história de origem e numa dessas BDs diz mesmo que prefere pensar no passado como algo com múltiplas escolhas“, disse Phillips, que assegura que a grande influência da sua obra são os filmes que desconstroem as personagens do final dos anos 70, como Serpico, Taxi Driver, Voando Sobre um Ninho de Cucos e Rei da Comédia, muitos deles de Martin Scorsese, que é o produtor. O filme O Homem Que Ri (1928), que influenciou os próprios criadores da personagem, foi “uma grande inspiração“, confessou.

Quando questionado sobre a violência na obra, Phillips diz que existe muito mais violência, por exemplo, em John Wick 3 e que o que distingue essa violência em Joker é a forma como se procurou dar realismo a ela.

Já Joaquin Phoenix, que se apresentou na conferência de imprensa com uma sobriedade pouco habitual – se pensarmos nos últimos anos – disse que acima de tudo procurou desenvolver o seu Joker como “alguém não identificável por um psiquiatra“, até porque estamos a falar de uma personagem fictícia. O ator mencionou mesmo um livro sobre assassinos políticos e as suas motivações como material de estudo para a sua personagem, mas sublinhou que não procurou mimicar qualquer dos Joker que foram interpretados anteriormente por Jack Nicholson, Heath Ledger ou Jared Leto.

O que foi atraente nesta personagem é que ela é tão difícil de definir. Você realmente não quer defini-la (…) Todos dias parecia que estávamos a descobrir novos aspetos … até o último dia.“, frisou. Phoenix também admitiu que o papel exigiu que perdesse muito peso e que isso, inevitavelmente, afetou-o psicologicamente.

 

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