Depois de dez anos de serviço pelos Vingadores, no papel da Viúva Negra, Scarlett Johansson deixou qualquer super-heroísmo de lado ao compor a fragilizada figura da atriz de teatro Nicole em Marriage Story (História de um Casamento br), drama que fez o Festival de Veneza conhecer talento até hoje nunca vistos na estrela nova-iorquina de 34 anos.

Scarlett Johansson | La Biennale di Venezia – foto ASAC
Símbolo de beleza na moda e nos ecrãs, Scarlett vai ao fundo do poço afetivo no novo filme do realizador Noah Baumbach (A Lula e a Baleia, Frances Ha), aplaudido várias vezes ao longo de sua projeção de imprensa, na briga pelo Leão de Ouro. A atuação de Scarlett e a do ator Adam Driver (o vilão Kylo Ren, neto de Dath Vader, na nova saga de Star Wars) neste enredo sobre a desagregação de um casal arrancou lágrimas e elogios do público veneziano. Nem toda a pompa do furacão J’Accuse, de Roman Polanski, exibido nesta sexta no Lido, ofuscou-lhe os holofotes.
“Noah não fazia ideia, quando me deu o guião para ler, de que eu estava a separar-me [do jornalista francês Romain Dauriac], e, portanto, estava cheia de experiência sobre o divórcio para encarar o papel de Nicole“, disse Scarlett à imprensa de Veneza, que a ovacionou na sua chegada ao Palácio da Biennale, sede do evento. “Esta é a história de alguém que está em luta para se afirmar ao fim do romance“.
Baumbach falou ao C7nema que a força dos seus diálogos, elogiada em uníssono no Lido, não seria notada se não tivesse uma atriz como Scarlett. “Não se escreve um monólogo de quase sete páginas para uma pessoa despejar no ecrã se não tiver uma estrela como Scarlett“, disse o cineasta, que, segundo as fofocas, construiu o argumento a partir das suas próprias experiências ao se separar da atriz Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados), com quem viveu 8 anos (2005 – 2013).

Noah Baumbach | La Biennale di Venezia – foto ASAC
Em Marriage Story, Scarlett é uma estrela dos palcos que largou uma promissora trajetória no audiovisual para ser a parceira de criação do diretor teatral Charlie, papel que pode garantir o prémio de melhor ator de Veneza a Driver. A disputa dos dois pela custódia do filho rende sequências de desabafo capazes de causar engasgo.
“Por ser atriz, tenho facilidade de entender os caminhos profissionais de Nicole, mas somos diferentes”, diz a atriz, que está a preparar o seu regresso como heroína nos grandes ecrãs, em 2020, à frente do filme a solo da Viúva Negra (Black Widow), em produção nas fileiras criativas da Marvel.
Neste sábado, Veneza receberá um dos filmes mais esperados do ano, Joker, um thriller produzido pelo mítico Martin Scorsese (Taxi Driver, Os Cavaleiros do Asfalto), com a direção de Todd Phillips (A Ressaca, Os Traficantes), sobre o arqui-inimigo do Batman. O Palhaço do Crime, que já contou com o talento de César Romero (na série do Batman dos anos ’60), de Jack Nicholson (em 1989) e de Heath Legder (em 2008, numa atuação coroada postumamente com o Oscar de secundário), dispõe agora do carisma de Joaquin Phoenix. Mas a versão que vai aos ecrãs é mais sombria que a encarnação do vilão nos quadrinhos, onde foi criado em 1940, por Jerry Robinson. De Veneza, Joker vai para o Festival de Toronto, no Canadá, e estreia no dia 3 de outubro.

