Pedro Almodóvar: “O cinema tem sido minha vida e não concebo o que resta dela sem fazer filmes”

(Fotos: Divulgação)

Pedro Almodóvar foi distinguido no Festival de Veneza com o Leão de Ouro pela sua carreira


La Biennale di Venezia – foto ASAC

Não tentei mudar o mundo (nunca fui tão pretensioso), mas tentei explicar o meu, o pequeno mundo em que vivi, e sempre fi-lo com absoluta liberdade, independência e inocência. No meu mundo, as pessoas sofrem, mas também regozijam sem preconceitos, são apaixonadas, diversas, defeituosas e generosas, com enorme capacidade de sobreviver, mas frágeis e vulneráveis, e todas gozam de grande autonomia moral. Como arquiteto das suas histórias, era o mínimo que lhes podia dar. A mesma liberdade que desfrutei. Mais uma vez obrigado ao Festival de Veneza por esta honra. Eu nunca estarei sozinho, este Leão será a minha companhia.

Estas foram as palavras de Pedro Almodóvar hoje no Festival de Veneza, certame onde foi agraciado com o Leão de Ouro pela sua carreira, ele que teve a sua estreia internacional também no Lido, há décadas atrás: “A primeira vez que deixei a Espanha, como cineasta, foi ao festival de Veneza em 1983 com Negros Hábitos. Como qualquer “primeira vez”, lembro-me como algo maravilhoso. 


La Biennale di Venezia – foto ASAC

 Almodóvar, que dedicou o prémio a todos os que trabalharam com ele e também aqueles que não passaram nos seus castings, disse ainda que em Itália sente-se sempre em casa e que não sabe se merece este prémio, que o faz estar ao lado de cineastas como Buñuel, Antonioni, Kieslowski, Pontecorvo, Rossellini e Dreyer, entre muitos outros.

Reconhecendo que o seu cinema é um produto da democracia espanhola, o espanhol acrescentou que desde muito jovem percebeu a sua vocação, a de “fabular, contar histórias“: “O cinema tem sido minha vida e não concebo o que resta dela sem fazer filmes. Entre outros assuntos, Dor e Gloria fala precisamente dessa minha necessidade vital.”

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