Já foi exibido em Veneza o novo filme de James Gray, Ad Astra, com Brad Pitt no papel principal.

O filme que coloca Pitt como Roy McBride, um astronauta que viaja para lá dos limites do sistema solar, teve hoje a sua conferência de imprensa, na qual o ator norte-americano explicou que, até certo ponto, Ad Astra lidava com o conceito de “masculinidade” e com as eternas questões do “quem somos” e “o que nos define“.
“Em retrospetiva, nas conversas preliminares que eu e o James Gray tivemos, estavamos à procura da definição de masculinidade. Crescemos numa época em que nos ensinavam a ser fortes, a não mostrar as fraquezas … e há um valor nisso, mas isso também criou uma barreira em que negas as dores e as coisas das quais tens vergonha. Sejam elas reais ou imaginárias.”, disse Pitt, acrescentando que uma das perguntas que fizeram foi “se existia uma melhor forma de nos definirmos” e se isso melhoraria a nossa relação com aqueles que amamos, com os pais, os filhos e consigo próprio.
Fugindo de uma questão sobre as probabilidades do filme e dele mesmo serem nomeados aos Oscars, e escusando-se com humor ao tema de ainda hoje ser um sex symbol, Pitt refere que acima de tudo está muito contente com o resultado e com o trabalho de todos: “É um filme desafiante, subtil, que opera em muitos sentidos. Tem algo a dizer sobre quem somos, sobre a alma – se é que acreditamos nisso -, qual é o nosso propósito, porque nos relacionamos (…) todos os anos vejo imensos talentos serem notados [pelo seu trabalho] e muitos outros esquecidos, por isso quando o teu nome aparece é divertido, mas quando surge [nos prémios] o nome de outra pessoa, normalmente ela é tua amiga, por isso também é bom.“
Reconhecendo que tanto ele como Gray são fascinados pelos filmes dos anos 70, Pitt explicou que o que lhe agrada nas obras dessa época era o facto de “não haverem personagens totalmente boas ou más“, o que revelava uma “complexidade” e um tom verdadeiramente “humano”, algo que também se tentou transportar para Ad Astra.

Já James Gray, falando das inspirações para o visual do filme, disse que tinha muitas influências de outros cineasta, mas destacou um documentário de 1989, intitulado For All Mankind. “São todas as filmagens em 16 mm a cores – restauradas – que a missão Apollo fez na Lua. Uma das coisas que me agarrou foi o facto de não vermos as estrelas quando estamos na Lua. Vemos um negro infinito como o céu e vemos a Terra como uma coisa minúscula. E esses 12 astronautas brancos e homens são os únicos que viram isso a partir deste corpo celestial, por isso temos de perguntar a nós mesmo: como é essa sensação? Muito no cinema tem a ver com a criação da atmosfera. E ao ver este documentário fiquei tão agarrado a esta incrível escuridão densa, assustadora, sem fim….). Isso tornou-se o nosso guia no trabalho com o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema . (…) Essas imagens em 16 mm foram o nosso guia. Claro, há sempre pesquisa, imagens de pintores e outros filmes que roubo, mas acima de tudo é um filme que começou na ciência“.
Quanto ao som e ao trabalho da banda-sonora, Gray explicou a obsessão para este filme com o movimento musique concrète: “Tentei acima de tudo fugir ao imediatamente tangível (…) Quanto à música, era complicado, pois quando trabalhas sinfonicamente podes estar a “roubar” de outros filmes; se usas música clássica, é Kubrick; se usas eletrónica, é Blade Runner. Por isso tentamos encontrar a nossa própria linguagem. Misturamos tudo e ouvimos elementos da sinfónica, da clássica e da eletrónica.“
Recordamos que Ad Astra tem ainda no elenco Liv Tyler, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e Ruth Negga, entre outros.
A sua estreia em Portugal está marcada para 19 de setembro.

