Aperta Aperta Com Elas estreia em Portugal esta quinta-feira, 25 de julho
Já José Malhoa, na sua música que invade qualquer bailarico ou festa dos santos populares, cantava: “Toda a malta gritou, até o padre ajudou, aperta aperta com ela“.
Bem-vindos à inspiração para o título nacional da comédia Aperta Aperta Com Elas, um filme suíço (sim, suiço) originalmente apelidado de Amur Senza Fin, onde o nome que a Outsider Films arranjou encaixa na perfeição.
Estreado no Festival de Locarno, com passagem pelo Festival de Toronto, e direitos de exibição adquiridos para os EUA, Aperta Aperta Com Elas segue uma pequena comunidade no cantão dos Grisões que assiste com relutância à chegada de um padre, um alemão diziam-. Quando ele chega, a desconfiança aumenta, pois afinal temos um padre indiano que apenas fez escala “clerical” na Alemanha até chegar ali.
A vida na pacata comunidade rege-se pelos clichés, mas aquilo que salta à vista é um grupo de “donas de casa desesperadas” porque o líbido dos maridos já não é o que era. Na verdade, esta comédia de traições e enganos esconde amantes e outros segredos que vão sendo desvendados aos poucos, estando o padre no centro de tudo ao se tornar confidente das mulheres e de lhes sugerir algumas dicas para estimularem o casamento, como “lerem o Kamasutra”.

A partir daqui a escalada de eventos e situações entre a comédia, drama e um inevitável romantismo, aumentam exponencialmente, mas existe um lado de contenção e uma sensibilidade do realizador Christoph Schaub em não desbancar em situações espalhafatosas de gags fáceis. E se é previsível todo o desenlace, todo o percurso até ele acaba por ser uma agradável surpresa, mesmo com o conservadorismo inerente de uma narrativa esquemática que nos anos 90 – e nos EUA- bem podia ter Meg Ryan no papel principal e Nora Ephron a realizar.
“Há dois valores importantes neste filme. O primeiro é o amor, a vida de casais fatigados (…) O segundo é o encontro com os estrangeiros, o padre é indiano e isso é uma questão importante. Há xenofobia (camuflada), mas essencialmente existe uma enorme curiosidade no que representa um padre indiano», disse o cineasta de Zurique Christoph Schaub, premiado em Locarno em 2009 por “O desaparecimento de Giulia“, em entrevista à RTS.
O primeiro filme em Romanche
A língua romanche, também chamada de reto-romanche, rético ou grisão, é uma das quatro línguas nacionais da Suíça, juntamente com o alemão, o italiano e o francÊs. Este filme, que na verdade é organicamente um telefilme, foi o primeiro nesta língua.

