De regresso às trincheiras da 1ª Guerra Mundial com Peter Jackson

(Fotos: Divulgação)

Eles Não Envelhecerão (They Shall Not Grow Old) será exibido dia 27 de julho, pelas 22h15, no canal HISTÓRIA

A Primeira Guerra Mundial, para o bem ou para o mal, é definida na imaginação das pessoas pelas imagens que são usadas em todos os documentários, as quais parecem horríveis, por razões óbvias“, disse Jackson, à ITV News, explicando um dos motivos porque avançou com Eles Não Envelhecerão, documentário com cerca de 90 minutos que restaura a imagem e dá cor a uma seleção de imagens da Primeira Grande Guerra a partir de 100 horas de imagens originais, conservados nos arquivos do Imperial War Museum (IWM).

Queria atrair esses homens para o mundo moderno, para que eles possam recuperar a sua humanidade mais uma vez – em vez de serem vistos apenas como figuras ao estilo Charlie Chaplin em filmes vintage“, disse Jackson ao BFI aquando do lançamento da obra, que até foi convertida para 3D e teve a sua estreia mundial no dia 16 de outubro de 2018 no Festival de Cinema de Londres.

A narração desta peça histórica é fornecida por veteranos da guerra, tendo o cineasta usado gravações executadas em 1964 por 120 homens que lutaram na Primeira Guerra Mundial. Esses mesmos relatos foram selecionados a partir de 600 horas de entrevistas no arquivo da BBC e do IWM, que resultaram no relato The War to End All Wars, contado pelos soldados que viveram a Guerra..

Mais que um filme de heroísmo ou da própria Guerra em si, este é um documento fulcral sobre os homens que participaram no conflito, incluindo o avô do cineasta, a quem o filme também é dedicado.

São 90 minutos de imagens e palavras dolorosas, proferidas pelos próprios combatentes, aqui expostos visualmente no conflito em condições subumanas, entrincheirados, doentes, feridos, sem qualquer sítio para as necessidades mais básicas, sempre munidos de atenção extrema a um eventual ataque, que acaba sempre por chegar.

Essas imagens são duras, gráficas e a cor acentua – transporta para as imagens contemporâneas – esse mesmo drama e pavor do terror que se viveu. E tudo começa antes do conflito sem si, com o alistamento de jovens, muitos deles adolescentes sem idade para o conflito, a aderirem ao exército, movido por um patriotismo exacerbado que acompanha qualquer máquina de propaganda de um regime.

Críticas ao projeto

Embora a recuperação e restauração histórica das imagens tenha sido genericamente bem aceite por historiadores e arquivistas, algumas vozes se levantaram contra alguns dos “arranjos” executados pelo cineasta, desaprovando a colorização digital, mas especialmente o facto de Jackson dar zoom nos detalhes. Segundo eles, as imagens de arquivo perdem força (em detrimento de truques de cinema), tornando-se consequentemente “menos reais“.

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