André Santos e Marco Leão levam as “Mães de Bragança” a Vila do Conde

(Fotos: Divulgação)

Dupla de cineastas portugueses com vasta carreira nas curtas-metragens estreia-se no formato televisivo com Luz Vermelha

O caso fez manchetes. Em outubro de 2003, a revista Time destacava as famosas “mães de Bragança”, um “coletivo” que apresentou um manifesto para que se travasse a onda de casas de alterne e prostitutas brasileiras que “faziam a cabeça” dos seus maridos.

Leandro Ferreira, realizador de obras como Contactos (1986), Vertigem (1992) e O Segredo (2001), filmou em 2007 Do outro Lado do Mundo, um projeto sobre o assunto que marcou a sociedade portuguesa da época. Problemas na conclusão da obra e verdadeiros casos de tribunal [ler artigo] impediram que o filme estreasse em Portugal até hoje.

Do lado da TV, a RTP apostou numa série, esta Luz Vermelha e chamou para a tarefa de realizar André Santos e Marco Leão, dupla com vasta experiência nas curtas e frequentemente presentes na pogramação do Curtas Vila do Conde. A dupla, que já levou até ao certame nortenho trabalhos como Cavalos Selvagens (2010), Infinito (2011), Má Raça (2013) e Pedro (2016) [ler entrevista do c7nema aos realizadores em 2017], chega agora ao festival com a exibição de dois episódios dos treze que o projeto tem. É mais uma aposta da RTP no que diz respeito à ficção e dos festivais nacionais em estrear projetos televisivos. Se o IndieLisboa exibiu Sul de Ivo M. Ferreira, o Curtas “respondeu” com esta Luz Vermelha.

Em comum, os dois projetos têm o facto de serem do mesmo canal, mas há mais. No elenco encontramos uma atriz pronta a mostrar a sua versatilidade em papéis consideravelmente diferentes. Da desempregada de classe baixa que vive com um namorado habituado a pequenos roubos em Sul, Margarida Vila-Nova marca presença nesta série de André Santos e Marco Leão como uma jornalista de investigação.

Ela procura perceber quem são estas mulheres, maioritariamente brasileiras, que entram nas redes de prostituição da área, procurando assim contacto com elas mal saem de autocarros, ou em conversas com o SEF.

No centro de tudo temos um bar de alterne liderado por um Joaquim Monchique muito distante dos registos cómicos a que estamos habituados, e no elenco encontramos vários nomes bem conhecidos da nossa TV e Cinema, como Mariana Badan, Sofia Nicholson, Tati Pasquali, Sara Norte, João Lagarto, Teresa Madruga, Dinarte Branco, Maria João Pinho, Adriano Carvalho e Paulo Calatré.

Nos primeiros episódios, a dupla de cineastas cria logo o ambiente que deseja, socorrendo-se de cores espanpanantes (amarelos, verdes em jeito neon) a canalizarem um sentimento de luxúria e libertinagem, nunca esquecendo a atmosfera pesada que está por trás desses ambientes, com um proxenetismo ameaçador e castrador. Escrito por Patrícia Müller, Luz Vermelha deixa ainda bastante espaço para ambiguidades, não estereotipando as prostitutas como meras vítimas “enganadas”. Também as há, mas cada caso é um caso e Luz Vermelha promete ser suficientemente profunda e complexa nas personagens que tem para ser apenas e só um registo de uma história que fez as delícias dos tablóides.

Agora no Curtas, brevemente na RTP.

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