Mantido como um dos thrillers mais promissores e antecipados do ano, sendo a primeira obra do coreano Park Chan-wook (Oldboy) nos EUA, Stoker foi um dos mais injustiçados filmes vitima da direção das nossas distribuidoras. Enquanto existe lugar para comédias como Movie 43 e Scary Movie 5 nas salas de cinema do nosso país, o thriller em questão passou de “constantemente adiado” para lançamento direto de home video. Ou seja, em Portugal Stoker irá diretamente para formato DVD e Blu-ray a partir do dia 5 de Setembro, lançado pela PRIS Audiovisuais.
Depois de concretizada a sua aclamada trilogia de vingança (Sympathy for Mr. Vengeance, Oldboy, Sympathy for Lady Vengeance) e a sua incursão vampírica em Thirst no seu país de origem, Park Chan-wook enverga neste psicótico e estilístico thriller um triângulo de interpretações “cortantes” e intensas. A obra remete-nos a India Stoker (Mia Wasikowska), uma jovem de sentido mórbido e socialmente desequilibrada. Durante o funeral do seu pai, que morreu sobe circunstâncias misteriosas e trágicas no preciso dia do seu 18º aniversario, a jovem conhece Charlie (Matthew Goode) o tio pelo qual nunca ouviu falar. Automaticamente este sujeito desconhecido começa a fazer parte da sua “desintegrada” família, tomando o lugar deixado pelo seu irmão e até mesmo chegando a “namoriscar” a viúva, Evelyn (Nicole Kidman). A relação de India com o tio é inicialmente confrontante e receosa, mas aos poucos a rapariga vai ganhando fascínio por este, sobretudo quanto mais descobre sobre a sua natureza. Será India a perversa e psicótica figura que todos temiam?
Influenciado directamente de Shadow of the Doubt (Mentira!) de Hitchcock, principalmente na obsessão mantida pelo tio em relação à sobrinha, Stoker é um filme que decorre sem surpresas e que cede prematuramente os seus twists. Contudo a grande valia da obra de Park Chan-wook é a preservação do nível de interesse da a sua narrativa, sem nunca rebaixar o ritmo nem no tom intenso de exploração das suas personagens. Stoker garante-nos uma estilística realização que nos presenteia com algumas sequências extraordinariamente versáteis com uma mise-en-scené hipnotizante. A atmosfera é fantasmagórica, tecendo entre o rústico e o gótico, a sensualidade e a tensão psicológica. O argumento do ator Wentworth Miller é generoso para o preenchimento da inerência de Park Chan-wook. Por fim, um elenco orquestrado e rigoroso com Nicole Kidman a magnetizar e Mia Wasikowska a evoluir como atriz. Eis um filme que não merecia tal destino.

