doclisboa 2010: ‘Entre nos mains’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Em resposta à falência da fábrica onde trabalham, as trabalhadoras tenta organizar uma cooperativa para tomar conta da fábrica e manterem os seus postos de trabalho. Mariana Otero mostra como todo o processo de organização e de investimento, em conjunto com as dificuldades e os contratempos, se reflecte na vida das várias trabalhadoras.

Perante a crise económica que nos aflige e a sensação de impotência que por vezes nos atinge quando tentamos perceber o que podemos fazer para sair dela, este é um filme revigorante. A simplicidade despudorada de algumas trabalhadoras a tentarem lidar com a complexidade da realidade financeira da fábrica e do funcionamento da cooperativa e o crescimento de todas durante o processo, tornam este filme um testemunho de que o compromisso, o investir num futuro comum e assumir a responsabilidade da própria vida são das acções mais libertadoras e emancipadoras.

É difícil discutir o final sem o estragar, mas pode dizer-se que só poderia ter acontecido depois de todo o processo de crescimento e emancipação que vemos desenrolar-se.

O Melhor: A genuinidade das trabalhadoras.
O Pior: O fim torna-se, se não ridículo, um pouco ambíguo.

A Base: Um filme para a crise que vivemos agora, com uma mensagem positiva…7/10

João Miranda

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