doclisboa 2010: ‘Dansa Als Esperits’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

A medicina tradicional parece, ao espírito iluminista ocidental, como um conjunto de superstições e rituais que se aproximam mais do ridículo do que do eficaz. Felizmente, esta atitude tem vindo a mudar e a própria Organização Mundial da Saúde (WHO) tem efectuado esforços para compreender, aprender e integrar o conhecimento e as práticas desta medicina na medicinal ocidental ou moderna. Numa aldeia dos Camarões, Mba Pierre é o médico que trata das doenças “da Noite”, mostrando uma claridade e um equilíbrio entre as duas correntes de medicina.

Este é um filme de uma grande sensibilidade, quer a nível estético, quer a nível do tema que explora, mostrando o dia-a-dia de Mba Pierre, num país em que as preocupações da globalização se fazem sentir na erosão da cultura e no desaparecimento de várias espécies de árvores causado pela desflorestação, a efectuar vários tratamentos, procurar plantas na floresta e a sua vida familiar, entrecortado com narrativas suas, onde conta as histórias dos doentes e a natureza dos tratamentos efectuados.

O auge do filme é, como o próprio nome indica, uma dança aos espíritos, onde Mba Pierre trata de casos mais graves e profetiza o futuro. Tão fascinante é a prática que, segundo a produtora do filme que falou antes da sua exibição, o realizador perdeu-se nas horas de filmagem quase causando um motim com a sua equipa.

É um filme de uma grande beleza e o retrato de um futuro promissor de integração entre duas correntes de conhecimento complementares.

Tem uma exibição adicional a:
17 OUT. 18:00 – CULTURGEST – Pequeno Auditório

O Melhor: Mba Pierre.
O Pior: A câmara torna-se, por vezes, intrusiva, mas nunca prejudicial.

A Base: É um filme de uma grande beleza e o retrato de um futuro promissor de integração entre duas correntes de conhecimento complementares…8/10

 

João Miranda

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