«Mais Um Dia Feliz»: Confusões de Uma Família Pouco Funcional

(Fotos: Divulgação)

Uma família completamente louca encontra-se para um casamento. Esse ponto de partida serve para uma grande mistura de tipos e diálogos, ora cómicos ora dramáticos, e marca a estreia do filho de Barry Levinson (“Rain Man”), Sam, na realização – num trabalho que lhe rendeu o prémio de Melhor Argumento em Sundance 2011. 

Algo que Levinson, argumentista de filmes como “Bandidos” e “Pânico em Hollywood”, conseguiu foi reunir um grande elenco. Atrizes experientes e consagradas, como Ellen Barkin, Ellen Burstyn, Kate Bosworth e Demi Moore, unem-se a novatos em alta como Ezra Miller – presente em dois filmes marcantes do ano que se encerra: “Temos que Falar Sobre Kevin” e “As Vantagens de Ser Invisível”.

O filme partiu de uma intenção do cineasta de fazer um documentário sobre o pintor Robert Raushcenberg. As dificuldades de financiamento, no entanto, para além do falecimento do biografado, frustraram os seus planos e foi quando deslocou-se de férias com a família para Connecticut que acabou por surgir a ideia para o seu primeiro projeto. Mas, conforme deixou claro, as suas personagens não são diretamente inspiradas na sua família. Outra fonte de inspiração foi o dramaturgo russo Anton Chekov, o que explica o gosto pelos diálogos e o aspeto teatral do filme.

Com um orçamento de U$ 4 milhões, nos Estados Unidos circulou essencialmente em festivais e só foi exibido comercialmente em Los Angeles e Nova Iorque. Em França, pelo contrário, teve um lançamento normal e mais de 100 mil pessoas viram o filme – que acabou por receber quatro nomeações em Deauville (o festival que os franceses dedicam ao cinema norte-americano). 

Os críticos franceses, de forma geral, foram em parte mais simpáticos que os norte-americanos. O Excessif, por exemplo, que deu nota máxima à obra, afirmando que “nos faz pensar que na família Levinson o talento é hereditário”. Já o Le Figaroscope fala “num argumento muito preciso e bem escrito, com uma narrativa que reúne uma miríada de personagens bem compostas”. Nos Estados Unidos, a reação foi mais mediana, rendendo muitas comparações (desfavoráveis) com “O Casamento de Rachel”. Mas, mesmo nas críticas negativas, o elenco e o argumento foram, em geral, elogiados.

Ellen Barkin volta a trabalhar com Demi Moore em “Very Good Girls”, obra que reúne um grande elenco – e que inclui Dakota Fanning, Elizabeth Olsen, Peter Sarsgaard e Richard Dreyfus. Ezra Miller, decididamente bem-sucedido nas suas escolhas, entra na mais nova adaptação do clássico de Flaubert, “Madame Bovary”, protagonizado por Mia Wasikowska e com um elenco do qual fazem parte Paul Giamatti e Rhys Ifans.
 
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http://www.youtube.com/watch?v=ciPFwv6F9c8 
 
Realização: Sam Levinson
Elenco: Ellen Barkin, Ezra Miller, Ellen Burstyn, Kate Bosworth e Demi Moore. EUA, 2011. {/xtypo_rounded2} 

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