«Hugo» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Numa temporada em que toda a nostalgia do mundo se abateu no cinema («Super 8», O Artista»), «Hugo» acaba por ser mais «uma acha para a fogueira» e que vem de onde menos se esperava, ou seja, da cartola de um cineasta com uma vasta obra, mas normalmente mais ligada a um cinema duro (físico e psicologicamente) e com mais realismo e crueza.

E acaba por ser curioso o rumo que Scorsese dá ao seu filme, numa profunda homenagem a Georges Meliés, esse fabricante de sonhos que inspirou tantos a prosseguirem a arte das suas ilusões.

Hugo é um rapaz que vive numa estação de comboios em Paris e que tenta arranjar tudo. Na verdade, este órfão procura acima de tudo consertar um autómato que o seu falecido pai lhe deixou, nunca imaginando toda a história que está por trás desse «boneco» e que o fará desenterrar o passado de uma personagem em particular.
 
O filme viaja assim pelo mundo de Hugo na estação, onde se dedica a pequenos roubos (para comer) e a forma como vai descobrindo peças de um puzzle e conhecendo pessoas que o vão ajudar a decifrar o enigma do estranho autómato.
 
Construído sempre de forma épica e mágica, e usando uma estética em forma de fábula ou conto, «Hugo» acaba por ser um filme emocionalmente forte, visualmente impressionante, repleto de pequenas pérolas cinematográficas e literárias e que muitas vezes se revela muito superior a quem o protagoniza.
 
Talvez só Ben Kingsley esteja à altura do exigido da sua personagem martirizada entre o esquecimento e o saudosismo, enquanto os mais jovens atores (e as suas personagens) mostram por vezes alguma dificuldade em saírem da «casca» típica e fórmula das histórias à la Charles Dickens.

Ainda assim, isso são ninharias, num filme que se revela como um todo e cuja mensagem final e homenagem póstuma já deixou a sua marca no cinema e na carreira de Scorsese. E nem precisa de ganhar um Óscar de Melhor Filme para isso…
 
O Melhor: O sentimento mágico que percorre o filme
O Pior: Os jovens atores mostram por vezes alguma dificuldade em saírem da «casca» típica e fórmula dos contos à la Charles Dickens.
 
 
 Jorge Pereira
 

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