Não há como negá-lo. Diablo Cody caiu em graça. Depois do aclamado «Juno», que lhe rendeu um Óscar, e do menos conseguido «O Corpo de Jennifer», chutado para DVD no mercado nacional, Cody volta a juntar-se com Jason Reitman para realizar este “Jovem Adulta”.
Disfarçado de comédia ligeira, “Jovem Adulta” é certamente um dos mais irascíveis retratos de uma nova geração de mulheres de trinta e muitos. O filme acompanha Mavis, uma escritora com o carro da moda, a casa da moda, o cãozinho da moda, mas com pouco mais do que isso.
Na realidade Mavis, é divorciada e vai vivendo das aparências e de relacionamentos fugazes para esconder as coisas que realmente lhe faltam. As coisas mudam quando Mavis recebe um email que anuncia o nascimento da filha de Buddy, o seu namorado do liceu. A partir daqui Mavis traça um plano, voltar à sua terra natal com um único objectivo, reconquistar Buddy, um casado e feliz pai de família.
Noutras comédias, a papel de Mavis acabaria por cair na redenção, mas desenganem-se, “Jovem Adulta” é duro, real, e sobretudo assume que as pessoas no seu âmago nunca mudam. O papel de Mavis é brilhantemente abraçado por Charlize Theron, que, mais uma vez, mostra a sua grande versatilidade como atriz.
Incontornavelmente, a força do filme acaba por estar nas cenas que juntam Mavis e Matt (Patton Oswalt), o miudo “geek”, vítima de “Bullying”, e aleijado que à sua maneira também se recusa a crescer.
Por isso mesmo, “Jovem Adulta” é o programa indicado para todos os que estão hiperglicémicos com o clima de doçura e lamechice da época de São Valentim. Um dos grandes melhores “feel bad movies” dos últimos tempos. Já agora, aproveitem e tentem equiparar Mavis a alguma conhecida vossa.
Conseguem?
O Melhor: A dinâmica das duplas Reitman/Cody e Theron/Oswalt
O Pior: Não haver mais filmes assim.
| Jorge Pereira |

