Já lá vão 53 anos desde que Mean Streets, de Martin Scorsese, estreou nos EUA e, neste domingo à noite, na Grande Sala do Festival de Cinema de Karlovy Vary, Harvey Keitel apresentou uma sessão do filme.
Antes da exibição, Karel Och, diretor artístico do KVIFF, sublinhou a importância desse período na afirmação de Martin Scorsese, “porque esses anos — e especialmente a sua ligação ao ator que estou prestes a convidar para o palco — não são suficientemente falados”.
No palco, Keitel centrou a intervenção na força da criatividade e na dureza dos primeiros anos de trabalho, falando da importância de Karlovy Vary para si: “Sou um de vocês. Sei o quanto trabalharam para desenvolver o vosso ofício. Passei por tudo aquilo por que estão a passar, só que na América”, disse o ator.
Falando das dificuldades vividas nos anos 70, quando ele e Scorsese tentavam fazer cinema quase sem meios, Keitel lembrou que nessa época só queria ganhar alguma experiência como ator. “Não recebia dinheiro, e Martin Scorsese e eu tínhamos de juntar os nossos trocos para comprar comida. Não somos diferentes de vocês. Quando digo que sou um de vocês, digo-o a sério”, afirmou.
“Nem acredito que vamos ver Mean Streets. E mal posso esperar por ouvir aquela música. É fantástica. Aproveitem o filme”, concluiu Keitel, antes de se despedir com humor: “Como dizemos em Brooklyn, vemo-nos na piscina.”



