Jesse Eisenberg em Karlovy Vary: “Sentia que destruía os filmes com a minha interpretação”

(Fotos: Divulgação)

Protagonista da primeira KVIFF Talk realizada no novo espaço Festival Lounge Thermal, em Karlovy Vary, pouco depois de receber o Prémio do Presidente do festival, o ator Jesse Eisenberg participou numa conversa em torno de The Double (2013), filme de Richard Ayoade que apresentou no certame.

Confessando que só agora o viu pela primeira vez, pois não gosta de se ver no ecrã, Eisenberg recordou com afeto as filmagens da obra, sublinhando a importância de Ayoade no processo. “No início da minha carreira, sentia que destruía os filmes com a minha interpretação. Richard Ayoade é tão divertido que senti que não conseguia estragar nada”, afirmou, descrevendo o realizador como um dos cineastas com quem mais gostou de trabalhar até hoje.

© Film Servis Festival Karlovy Vary

Abordando outras questões na conversa moderada por Pavel Sladký, Eisenberg explicou por que recusou voltar ao papel no novo filme de Aaron Sorkin, The Social Reckoning (2026). “Na altura, The Social Network parecia-me uma coisa muito estranha, porque quase ninguém sabia quem Zuckerberg era (…) Pensei nele como uma personagem interessante. Depois tornou-se famoso e agora já não quero fazer esse filme (…) Não quero voltar a associar-me a ele. Já não gosto dessa comparação (…) Se esse tipo é o criador deste mundo, então não quero viver nesse mundo.”

Conhecido por interpretar personagens ansiosas, Eisenberg falou ainda de saúde mental, afirmando ter sofrido de ansiedade e depressão em criança e ter descoberto, aos 15 anos, num casting, que podia transformar essa fragilidade em humor: “Por isso gosto de interpretar personagens tensas. Ajuda-me a lidar melhor com quem sou”. Ele acrescentou ainda que, apesar de não ver muitos filmes, reconhece a capacidade do cinema para gerar empatia por vidas diferentes da nossa, admitindo que tenta compreender até os vilões, porque todos acreditam estar a agir corretamente.

Finalmente, o ator afirmou também que escolhe projetos mais pela personagem do que pelo realizador e que, nos seus próprios argumentos, procura partir de emoções reais para depois encontrar a forma mais cómica possível.

O seu terceiro filme como realizador, The Debut (2026), deverá estrear no final do ano. Sobre o segundo, A Real Pain, Jesse contou que Kieran Culkin hesitou várias vezes antes de aceitar o projeto e que foi Emma Stone, produtora do filme, que ajudou a convencê-lo: “O Kieran foi uma dor de cabeça nas filmagens, pois não fazia nada do que eu lhe pedia. Mas era tão bom. É um ser mágico, cuja psicologia não compreendo”, concluiu.

O Festival de Karlovy Vary prossegue até dia 11 de julho.

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