A 21.ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto celebrou na passada sexta-feira os 80 anos de O Ébrio (1946), clássico realizado por Gilda de Abreu (1904-1979) e protagonizado pelo cantor Vicente Celestino (1894-1968). A exibição da cópia restaurada ao ar livre, na Praça Tiradentes, transformou-se num dos momentos mais emotivos desta edição do festival mineiro.
Considerado um dos maiores fenómenos de público da história do cinema brasileiro, O Ébrio (1946) continua envolto em alguma controvérsia estatística. Estimativas apontam para um total entre 8 e 12,5 milhões de espectadores desde a sua estreia, números que poderiam colocá-lo acima de Nada a Perder (2018), atualmente associado ao primeiro lugar das bilheteiras nacionais, com 12,1 milhões de bilhetes vendidos, e de Minha Mãe É uma Peça 3 (2019), habitualmente apontado como o segundo maior êxito comercial do cinema brasileiro, com 11,6 milhões de bilhetes vendidos.
Produzido pela Cinédia sob a supervisão de Adhemar Gonzaga (1901-1978), o filme é frequentemente apontado como a primeira longa-metragem sonora brasileira realizada por uma mulher. Inspirado na célebre canção homónima de Vicente Celestino, acompanha a trajetória de um estudante de medicina que ascende socialmente graças ao seu talento musical e, já estabelecido como médico, acaba destruído por sucessivas tragédias pessoais, mergulhando no alcoolismo e na solidão.
A recuperação da longa-metragem devolve ao público um dos títulos mais populares do cinema brasileiro clássico, cuja fama atravessou décadas e chegou a superar, em várias cidades, os recordes de exibição de E Tudo o Vento Levou (1939). Estima-se que a produção de Gilda fosse exibida em feiras, a céu aberto, no fim dos anos 1940.
A CineOP prossegue em Ouro Preto até 30 de junho.

