Fernando Muniz abre ponte transaltântica entre Brasil e Lisboa

(Fotos: Divulgação)

Depois de pavimentar a estrada de Veneza (2019), de Miguel Falabella, e Cinema Novo, de Eryk Rocha (prémio L’Oeil d’Or em Cannes em 2016), o produtor Fernando Muniz agora tem pela frente um projeto de conexão com Portugal, país que adotou como lar. Última Noite, de Tiago R. Santos (Revolta), começa a ser filmado este mês em Lisboa, numa junção do cinema brasileiro e do português, na sinergia entre a sua FM Produções e a Fado Filmes. A trama produzida por Muniz tem tons de thriller e expõe a violência contra as mulheres. No argumento, o jovem escritor americano Andrew (Sebastiano Pigazzi) está às vésperas de regressar a Nova Iorque, quando é confrontado por Sara (Teresa Tavares), uma artista portuguesa que o acusa de um terrível crime.

Em meio a esse projeto de DNA europeu, Muniz (um carioca que viveu 20 anos em Itália, ao perseguir uma carreira como cantor de ópera, anterior à sua trajetória de produtor) hoje dedica-se ao lançamento da longa-metragem Filhos Do Mangue, realizado por Eliane Caffé. Laureado com o troféu Kikito de Melhor Realização em Gramado, esse drama foi rodado no Rio Grande do Norte. Na trama, Pedro Chão (Felipe Camargo) é um homem de mau caráter, individualista e desregrado, que aparece ferido e sem memória na sua comunidade ribeirinha. O povo acusa-o de roubo e tenta, em vão, que ele recupere a memória e devolva o dinheiro. No processo, ele passa por uma redenção. 

Fernando Muniz

Radicado em Lisboa, Muniz explica ao C7nema como se dá a operação transatlântica para tirar o guião de Última Noitedo papel.  

Qual é a importância da Fado Filmes para o seu novo projeto e de que forma se dá a conexão prática entre produtoras portuguesas e brasileiras?

A Fado Filmes é uma produtora com uma cinematografia impressionante. Entrar num edital tendo a Fado como coprodutora, é por si só, um ponto positivo nos critérios de seleção. Além disso, sou movido pelas relações humanas. Gosto de trabalhar com pessoas que me identifico e senti uma boa conexão com o Luís Galvão Teles, produtor da Fado. O facto de estar a viver em Portugal, facilita muito toda a dinâmica de estar a produzir um filme com eles.

O que mais te atrai no cinema português hoje? O quanto a opção por viver em Portugal agiliza as suas conexões europeias?

O que mais me atrai é a possibilidade concreta de viabilizar os projetos. Acho que temos um grande universo de temas em comum e uma língua que nos une. Portugal é um país europeu, a 7 horas do nordeste do Brasil, a 2 horas de Paris, 1 hora de Madrid. Fica tudo mais simples em matéria de conexões.

Os seus filmes são universais, mas carregam muita brasilidade. O que pode haver de brasileiro em “Última Noite”?

Os conflitos da trama de Última Noite são atuais e universais. Essa história poderia ser no Brasil, em Londres, em Lisboa, ou outra grande metrópole. Procuramos trazer uma personagem brasileira para a história, afinal é uma coprodução com o Brasil e indiquei o ator Thiago Justino, com quem acabei de trabalhar no filme “Filhos Do Mangue”, realizador por Eliane Caffé, com estreia no Brasil prevista para maio de 2025. Essa escolha não foi casual. Acho que o Thiago Justino vai, sem dúvida, dar um tom brasileiro a esse drama.

Quais são os próximos passos de lançamento, inclusive fora do Brasil, de “Filhos do Mangue”?

Temos a nossa estreia comercial em salas de cinema prevista para maio de 2025. O nosso distribuidor, a Bretz Filmes, já está a negociar a presença do filme nas janelas sucessivas e em alguns canais e streamings.

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