Prémios dos júris paralelos de Berlim celebram Brasil e Noruega

(Fotos: Divulgação)

Cerca de quatro horas antes de o Urso de Ouro de 2025 ser entregue por Todd Haynes e colegas de juradas/os, a Berlinale 75 fez o anúncio das láureas dos júris paralelos, com dupla vitória para dois títulos da competição oficial: “O Último Azul“, do Brasil, e “Dreams (Sex Love)“, da Noruega. Houve uma forte adesão da crítica para ambos. Estruturada como distopia, com carimbo amazónico “O Último Azul“, de Gabriel Mascaro, ganhou o Prémio do Júri Ecuménico da Berlinale 2025 e a láurea anual do público leitor do jornal germânico “Berliner Morgenpost”.

No enredo desse river movie filmado por Mascaro, o governo brasileiro passa a transferir idosos para uma colónia habitacional para “desfrutarem” os últimos anos de vida em isolamento. Antes do seu exílio compulsório, Tereza, uma mulher de 77 anos (vivida por Denise Weinberg, numa colossal atuação), embarca numa jornada para realizar o seu último desejo: ter dignidade… e ser livre. Para isso, vai se enfiar numa jornada fluvial com direito a um barqueiro de coração partido (papel de Rodrigo Santoro) e uma vendedora de Bíblias digitais (a cubana Miriam Socorrás). Ainda hoje, a produção nacional pode receber outros troféus. “É uma vitória que celebra dois olhares diferentes, de um lado o de uma entidade religiosa, do outro leitores da imprensa. Chegam num momento em que o público no Brasil volta a abraçar o seu cinema“, disse Mascaro ao C7nema. Na mesma cerimónia em que o cineasta de origem pernambucana foi laureado, a Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (FIPRESCI) atribuiu o Prémio da Critica ao drama romântico de origem norueguesa “Dreams (Sex Love)” (no original, “Drømmer“), de Dag Johan Haugerud. O realizador acompanha a transformação de uma estudante em escritora conforme ela regista em palavras a sua paixão (não correspondida) por uma mulher mais velha. Dag recebeu ainda o prémio Guild Film. “É um filme sobre escrever e sobre ler. Leiam“, disse Dag, que idealizou a longa-metyragem como parte de uma trilogia iniciada em 2024 por “Sex” e seguida por “Love”, todos de toada queer. Esta noite saem os troféus do certame oficial. No domingo, a programação chega ao fim.

Premiações dos júris paralelos: Prémio da Crítica (Fipresci): “Dreams (Sex Love)”, de Dag Johan Haugerud (Noruega); “Little Trouble Girls“, de Urška Djukic (Eslovénia); “La Memoria de Las Mariposas“, de Tatiana Fuentes Sadowski (Peru); “Bajo Las Banderas El Sol“, de Juanjo Pereira (Paraguai)

Amnistia Internacional: “The Moelln Letters“, de Martina Priessner (Alemanha)

Júri Ecuménico: “The Heart Is A Muscle”, de Imran Hamdulay (África do Sul); “Holding Liat”, de Brandon Kramer (EUA/ Israel); “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro (Brasil)

Prêmio da Confédération Internationale des Cinémas d’Art et d’Essai (CICAE): “Sorda“, de Eva Libertad (Espanha), e “If You Are Afraid You Put Your Heart into Your Mouth and Smile“, de Marie Luise Lehner (Alemanha)

Prémio Heiner-Carow: “Palliativ Care Unit“, de Philipp Döring (Alemanha)

Prémio Cinema Vision 14 Plus: “Paternal Leave“, de Alissa Jung (Alemanha) com menção para “Têtes Brûlées

Label Europa Cinemas: “Hysteria“, de Mehmet Akif Buyukatalay (Alemanha)

Guild Film: “Dreams (Sex Love)“, de Dag Johan Haugerud, com menção para “What Marielle Knows

Láurea do Público Leitor do “Berliner Morgenpost”: “O Último Azul

Láurea do Público Leitor do Tagesspiegel: “The Swan Song Of Fedor Ozerov“, de Yuri Semashko (Bielorrússia)

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