Nascida em San Sebastián, Jaione Camborda retorna ao evento cultural mais famoso da sua terra natal, um ano depois de ter conquistado a Concha de Ouro com “O Corno do Centeio“, com a missão de comandar o júri do evento na sua 72ª edição. Envolvida no processo de escrita do argumento da sua próxima longa-metragem (uma ficção), ela tem trabalhado desde o último dia 20 – quando “Emmanuelle” abriu a mostra competitiva – com uma equipa de juradas/os que reúne a jornalista e escritora argentina Leila Guerriero, o ator e diretor americano Fran Kranz, a produtora francesa Carole Scotta e os cineastas Christos Nikou (da Grécia) e Ulrich Seidl (da Áustria).
“Somos seis, número par. Se houver um empate, cabe à presidência do júri dar um veredicto“, diz Jaoine ao C7nema, numa conversa no Hotel María Cristina, um dos pontos centrais do festival.
E se Portugal já viu “O Corno do Centeio” nas salas de projeção, o Brasil ainda não. Ao contrário do que o seu título possa sugerir, a trama não fala sobre adultérios, e, sim, sobre os direitos das mulheres sobre os seus corpos. No enredo, Jaione volta ao passado, até os anos 1970, na fronteira do seu país com terras lusas. Vai até lá para contar a fuga de uma parteira María (a bailarina Janet Novás) que ajuda uma jovem a abortar. A morte da moça faz de María um alvo da polícia, o que a obriga a sair do lar e procurar uma nova vida. A fotografia de Rui Poças amplia a potência estética da investigação social da cineasta, que teve Rodrigo Areias como seu produtor.
Como foi a coprodução com Portugal?
Filmamos parte da longa no Alto Minho português, em 2022. Pelo facto de parte da história se passar lá, Portugal era um coprodutor natural e foi muito bonita a adesão. A equipa de fotografia e a de som era portuguesa e eles trouxeram uma colaboração muito sensível.
Um ano depois do êxito de “O Corno do Centeio” na disputa pela Concha dourada, você tem a tarefa de presidir o júri de 2024. O que esse posto impõe como responsabilidade?
A tarefa de criar dinâmicas para que todas as vozes que integram a equipa se façam expressar. Quero ouvir o que cada pessoa desse júri tem para dizer.
A vitória de seu filme é parte de uma fase de consagração para a Espanha no audiovisual. Como você avalia o atual contexto da produção cinrmatográfica espanhola?
A Espanha colheu tantos êxitos recentes que o seu cinema de autor consegue subir a margem dos orçamentos, contar com mais apoios e alcançar maior espaço em cartaz. Vejo hoje uma geração nova de mulheres espanholas a despontar na realização. Em geral, não só no meu país. Não encontramos ainda um lugar de igualdade, mas, de facto, hoje estamos numa posição melhor.

