Pequenas Criaturas vence a Première Brasil

(Fotos: Divulgação)

Último dos concorrentes ao troféu Redentor de Melhor Ficção a ser apresentado na Première Brasil do 27.º Festival do Rio, Pequenas Criaturas, de Anne Pinheiro Guimarães, foi o filme que conquistou a maratona cinéfila carioca com o seu painel de delicadezas. A realizadora escreveu o argumento em tributo à mãe, a partir de vivências “autogeográficas”, num enredo que recria a Brasília de 1986. Na capital federal do seu país, Helena (interpretada por Carolina Dieckmann) luta para criar os filhos e manter a paz quando percebe que o marido foi embora, deixando-a numa cidade que vislumbra o porvir, mas pouco sabe lidar com o presente.

O Melhor Documentário do Festival do Rio é a love story antitransfobia Apolo, de Tainá Müller e Isis Broken. Este relato sobre o nascimento de um bebé fruto do amor de um casal trans fala da legitimidade dos afectos num país assolado por violência obstétrica e preconceitos vários. A longa recebeu ainda o troféu de Melhor Banda Sonora, atribuído ao compositor Plínio Profeta.

Na escolha do júri do público, a não ficção mais querida pelos espectadores do Rio de Janeiro foi Cheiro de Diesel, de Natasha Neri e Gizele Martins, sobre violência militar. Esta produção arrecadou também o Prémio do Júri, presidido por um profissional vindo de França: o distribuidor e produtor Eric Lagesse. O painel de jurados incluiu a roteirista Carolina Kotscho; a figurinista Claudia Kopke; a produtora executiva Elena Manrique; o curador Javier Garcia Puerto; a realizadora Luciana Bezerra; e a consultora de projetos audiovisuais e também produtora Paula Astorga.

Este grupo concentrou a maioria dos troféus em Ato Noturno e #SalveRosa — o primeiro venceu em quatro categorias e o segundo, em três. Terminado o Festival do Rio, os olhares cinéfilos do Brasil voltam-se agora para a Mostra de São Paulo, que começa na quarta-feira.

Festival do Rio (27.ª edição) — Vencedores

  • Melhor Longa de Ficção: Pequenas Criaturas, de Anne Pinheiro Guimarães
  • Melhor Documentário (Longa): Apolo, de Tainá Müller e Isis Broken
  • Melhor Curta-metragem (ex aequo): O Faz-Tudo, de Fábio Leal e Sebastiana, de Pedro de Alencar
  • Prémio Especial do Júri: Cheiro de Diesel, de Natasha Neri e Gizele Martins

Interpretações e Realização

  • Realização (Ficção): Rogério Nunes (Coração das Trevas)
  • Realização (Documentário): Mini Kerti (Dona Onete — Meu Coração Neste Pedacinho Aqui)
  • Interpretação Feminina: Klara Castanho (#SalveRosa)
  • Interpretação Masculina: Gabriel Faryas (Ato Noturno)
  • Atriz Secundária: Diva Menner (Ruas da Glória)
  • Actor Secundário: Alejandro Claveaux (Ruas da Glória)

Técnicos e Criativos

  • Argumento: Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (Ato Noturno)
  • Fotografia: Luciana Baseggio (Ato Noturno)
  • Montagem: André Finotti (Honestino)
  • Som: Ariel Henrique e Tales Manfrinato (Love Kills)
  • Banda Sonora Original: Plínio Profeta (Apolo)
  • Figurinos: Renata Russo (#SalveRosa)
  • Direção de Arte: Claudia Andrade (Pequenas Criaturas)

Prémio do Público

  • Ficção: #SalveRosa
  • Documentário: Cheiro de Diesel

Novos Rumos

  • Melhor Filme: Uma Em Mil, de Jonatas Rubert e Tiago Rubert Atala
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