“Homem dos sete ofícios” (ou 6) – ator, produtor, escritor, realizador, montador e diretor de fotografia -, Larry Fessenden tem conquistado o epíteto de ícone do terror independente norte-americano através de um grande número de produções da sua Glass Eye Pix. Mas além de embarcarem em filmes de criaturas ou monstros, como se viu em “Wendigo”, “Depraved” ou neste “Blackout”, os fantasmas internos e os dramas humanos têm sido destrinçados com fulgor pelo cineasta, abordando, no caso deste filme exibido no Festival de Roterdão, depois de uma passagem com sucesso no Fantasia, questões ligadas às adições, ao medo do que é de fora e à corrupção que atormenta uma pequena localidade, encontrando igualmente a corrupção moral, via bestialidade do protagonista, com trilho a investigar.
Iniciando o seu filme com uma cena gore de cariz clássico, logo após uma cena de sexo num descampado (já sabemos que as regras do terror impõem que quem tem sexo morre num filme, lá dizia Craven em “Scream”), Fessenden arranca dai para a descoberta individual das personagens, já que para o espectador a descoberta de quem é a besta que anda a provocar o caos é-nos entregue na bandeja de um quarto de hotel com o agora em estado humano Charley Bartlett (Alex Hurt), ainda com as marcas sanguinolentas no corpo da noite anterior.
Na verdade, “Blackout” é um filme de ”marcas”, interiores na forma de feridas por sarar e resolver por parte de Charley, sociais (na diabolização do estranho e estrangeiro ao local) e físicas (no corpo dos mutilados e mortos pelo lobisomem). E Charlie é um pouco mais complexo que aparenta. Separado recentemente de Sharon, que tenta reconquistar, em luto pelo pai, e numa guerra aberta com um “homem de negócios” local, Hammond ( Marshall Bell ), Charley tem consciência que os esataques que têm acontecido na zona são da sua responsabilidade, mas ainda assim tem de lidar com o racismo de Hammond que dispara para um antigo funcionário, Miguel ( Rigo Garay ), as culpas.
Cinematograficamente citando alguns clássicos do género, enquanto dispara igualmente bitaites de temas contemporâneos, como a “culpa branca”, Fessenden entrega um singelo filme de horror, sem grande inovação, onde se sentem as limitações orçamentai. Ainda assim, “Blackout” é eficaz e interessante de seguir até ao seu final.




















