Kelly Reichardt e Lav Diaz triunfam na 70.ª edição do SEMINCI. Portugal com múltiplos prémios na bagagem

Gael García Bernal interpreta Fernão de Magalhães em Magellan

(Fotos: Divulgação)

Com mais de 100 mil espectadores, encerrou ontem a 70.ª Semana Internacional de Cinema de Valladolid (SEMINCI), com a atribuição da Espiga de Ouro, o principal prémio do certame, ex aequo a The Mastermind, de Kelly Reichardt, e Magellan, de Lav Diaz. O primeiro foi ainda consagrado pela fotografia de Christopher Blauvelt.

Heist existencial, The Mastermind decorre nos anos 70 e acompanha J.B. Mooney (Josh O’Connor), um homem frustrado que decide provar o seu valor ao roubar quadros de um pequeno museu. “Acho que a personagem segue uma certa tradição de finais dos anos 60 / anos 70, aquilo que se chamou por vezes a nova vaga de Hollywood, e também uma tradição de personagens desiludidos — homens brancos muito privilegiados, à procura de si próprios, e com o luxo de poder fazê-lo”, disse Kelly Reichardt em Cannes, onde o filme teve a sua estreia mundial, sobre o protagonista que criou.

Magellan é uma meditação épica sobre colonialismo, fé e identidade através da figura de Fernão de Magalhães. O filme revisita a expedição do navegador português que, ao serviço de Espanha, empreendeu a primeira viagem de circum-navegação, mas foca-se menos na epopeia marítima e mais nas suas contradições morais e espirituais. “O filme foi evoluindo ao longo da minha pesquisa e investigação sobre o tema. O Magalhães tem estado presente desde o início da história das Filipinas. […] Contextualmente, tudo muda, evolui para outra coisa. E foi isso que aconteceu com este filme”, disse Lav Diaz em Cannes sobre o filme.

A Espiga de Prata foi para Silent Friend, de Ildikó Enyedi, que arrecadou também a Espiga Verde, pela sua “visão reconfortante num mundo em crise”. Os argentinos Ezequiel Salinas e Ramiro Sonzini venceram o prémio de Melhor Realização com La noche está marchándose ya. Nos prémios de interpretação, brilharam Eva Victor (Sorry, Baby) e Harry Melling (Pillion).

Portugal recebeu múltiplas distinções em Valladolid, a começar com Magellan, que é uma coprodução nacional. Já o português Pedro Pinho conquistou a secção Meeting Point com O Riso e a Faca; Last Night I Conquered the City of Thebes, de Gabriel Azorín, também ele uma coprodução nacional, arrecadou o Prémio Especial FUNDOS; Cão Sozinho, de Marta Reis Andrade, recebeu a Espiga de Prata nas curtas-metragens. Finalmente, Leonor Noivo venceu o Grande Prémio Alquemies com Bulakna.

A Semana Internacional de Cinema de Valladolid (SEMINCI) decorreu de 24 de outubro a 1 de novembro.

Vencedores (com os títulos internacionais):

Secção Oficial – Longas-Metragens

  • Espiga de Ouro (ex aequo): The Mastermind, de Kelly Reichardt, e Magellan, de Lav Diaz
  • Espiga de Prata: Silent Friend, de Ildikó Enyedi
  • Prémio Ribera del Duero de Melhor Realização: Ezequiel Salinas e Ramiro Sonzini – La noche está marchándose ya (A Noite Está a Desvanecer)
  • Melhor Atriz: Eva Victor – Sorry, Baby
  • Melhor Ator: Harry Melling – Pillion
  • Menção Especial: Lionel Corral Bernal, Lionel Corral e Alicia Corral Bernal – Lionel
  • Melhor Fotografia: Christopher Blauvelt – The Mastermind
  • Melhor Argumento (Prémio Miguel Delibes): Fernando Franco e Begoña Arostegui – Subsuelo (Subterrâneo)
  • Melhor Montagem (Prémio José Salcedo): Nili Feller – Yes
  • Prémio FIPRESCI: Two Prosecutors, de Sergei Loznitsa
  • Prémio do Público: Hamnet, de Chloé Zhao

Secção Meeting Point

  • Melhor Filme: I Only Rest in the Storm, de Pedro Pinho
  • Prémio Especial FUNDOS: Last Night I Conquered the City of Thebes, de Gabriel Azorín
  • Prémio ESCAC – Melhor Realização de Primeira ou Segunda Longa-Metragem: Alexe Poukine – Kika
  • Menção Especial: Nino, de Pauline Loquès
  • Prémio do Público (Meeting Point): A Sad and Beautiful World, de Cyril Aris

Secção Alquemies

  • Grande Prémio Alquemies: Bulakna, de Leonor Noivo
  • Menção Especial: Memory of Princess Mumbi, de Damien Hauser

Tempo da História

  • Grande Prémio Tempo da História: Face to Face, de Federico Veiroj
  • Prémio Especial Tempo da História: Memory, de Vladlena Sandu
  • Menção Especial: Notes of a True Criminal, de Alexander Rodnyansky e Andriy Alferov
  • DOC. España: Yrupẽ, de Candela Sotos
  • Menção DOC. España: Los Cangrejos, de Rubén Seca

Outros Prémios de Longas-Metragens

  • Prémio Pilar Miró – Melhor Nova Realizadora Espanhola: Lucía Aleñar – Forastera
  • Prémio Rainbow Spike: Between Dreams and Hope, de Farnoosh Samadi
  • Menção do Prémio Green Spike: Hair, Paper, Water, de Nicolas Graux e Truong Minh Quy

Curtas-Metragens

  • Espiga de Ouro: Living Stones, de Jakob Ladányi Jancsó
  • Espigas de Prata: Dog Alone, de Marta Reis Andrade, e No Skate!, de Guil Sela
  • Melhor Curta Europeia: Mercy, de Hedda Mjøen
  • Melhor Curta Espanhola: Casi septiembre, de Lucía G. Romero
  • Menção Especial (Curta Espanhola): Abortion Party, de Julia Mellen
  • Castilla y León en Corto: Darshan, de Alberto Allica
  • Movistar Plus+ Short Film Project: El cuerpo en cuestión, de María Herrera
  • Prémio do Júri Jovem – Curtas:
    • Internacional: Ali, de Adnan Al Rajeev
    • Espanhola: Instrucciones para cocinar un pollo bajo tierra, de Olivia Delcán e Nacho Sánchez
    • Castilla y León: 15 días con 15 años, de Dacio de las Heras

Prémios de Distribuição (La Meseta)

Menção Especial: Rondallas, de Daniel Sánchez Arévalo – Beta Fiction

Melhor Campanha: The Chronology of Water, de Kristen Stewart – Sideral

Outros Prémios: La buena hija (Avalon e MadAvenue) e El amor que permanece (Elástica/Revolutionary)

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