Capital do estado brasileiro de Mato Grosso e porta de entrada para três dos mais importantes biomas do Brasil — o Pantanal, a Amazónia e o Cerrado —, Cuiabá procura ampliar o seu protagonismo na produção audiovisual do país com a 23.ª edição do CINEMATO, que decorre entre 29 de junho e 5 de julho. Um dos mais importantes eventos hoje dedicados ao cinema brasileiro e amazónico, pela diversidade da sua seleção, o certame prestará homenagem ao realizador, ator e dramaturgo Amauri Tangará, figura marcante da cultura mato-grossense, cuja obra se destacou pela atenção às identidades populares e às realidades do chamado Brasil profundo.
Sob o tema Migração – Mobilidade Humana e Alterações Climáticas, a maratona cuiabana reúne 67 filmes provenientes de 17 estados brasileiros, propondo uma reflexão sobre deslocações populacionais, pertença territorial, pluralidade cultural e os impactos das transformações ambientais. A programação distribui-se por várias secções, incluindo as mostras Competitiva, Documenta Brasil, Cinema Paradiso, Cinema Escola e sessões especiais.

No centro das atenções estará a competição de longas-metragens pelo tradicional Prémio Coxiponé. Entre os candidatos figuram o thriller Eclipse, realizado e protagonizado por Djin Sganzerla; o documentário Dentre Nordeste e Sudeste, de Andrea Mendonça; Filhas da Noite, de Henrique Arruda e Sylara Silvério; o drama Perto do Sol é Mais Claro, de Régis Faria; o documentário Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky, de Jorge Bodanzky e Liliane Maia; além das produções mato-grossenses Cinco Tipos de Medo (2025), de Bruno Bini, vencedor do Festival de Gramado de 2025, e Memória de Elefante, de Severino Neto.
A secção de curtas-metragens apresenta 15 obras de várias regiões do Brasil, enquanto a mostra Documenta Brasil inclui títulos celebrados ou muito aguardados. Concorrem Anistia 79, de Anita Leandro; Pau D’Arco, de Ana Aranha; Quatro Luas Pantaneiras, de Ana Carla Loureiro; Rita Moreira: Crónicas, Memórias e Videotape, de Sérgio Santos Barroso; e Sérgio Mamberti – Memórias do Brasil, de Evaldo Mocarzel.
Entre os convidados confirmados encontram-se a atriz e realizadora Dira Paes, que regressa ao festival para entregar o prémio que leva o seu nome, destinado a mulheres com intervenção relevante no audiovisual e em causas socioambientais. Também marcarão presença as atrizes Bella Campos e Vanessa Gerbelli, bem como os realizadores Jorge Bodanzky, Régis Faria e Betse de Paula.
A programação paralela inclui oficinas, debates, encontros com realizadores e um seminário dedicado ao tema desta edição, reforçando a vocação do CINEMATO como espaço de reflexão, formação e valorização do cinema brasileiro contemporâneo.
Realizado pelo Instituto INCA – Inclusão, Cidadania e Ação, o festival consolidou-se ao longo das últimas duas décadas como uma das principais montras do audiovisual produzido na Amazónia e no Centro-Oeste do Brasil, promovendo o encontro entre criadores, público e novas gerações de cineastas.

