Quem conhece Francis Ford Coppola primeiramente pelos seus maiores sucessos, clássicos como “The Godfather” e “Apocalypse Now”, pode estranhar o entusiasmo genuíno do realizador pela prestação do seu mais recente filme, “Megalopolis”, na cerimónia de prémios satírica Framboesa de Ouro (Razzie Awards).
O cineasta norte-americano aceitou através do Instagram os dois Razzies que “Megalopolis” venceu na passada sexta-feira, para Pior Realizador (Coppola) e Pior Ator Secundário (Jon Voight), e sublinhou a honra de ter sido nomeado para categorias chave como Pior Roteiro e Pior Filme. O filme recebeu ainda uma segunda nomeação para Pior Ator Secundário (Shia LaBeouf) e Pior Combinação no Ecrã (todo o elenco).
Para Coppola, que já venceu cinco Óscares da Academia ao longo de mais de seis décadas de carreira, o Razzie simboliza um reconhecimento da coragem necessária para ir contra as tendências da produção cinematográfica atual. O realizador articulou as suas frustrações com a atribuição de pontuações a obras de arte, a aversão ao risco por parte da indústria de cinema, e a fixação com os resultados de bilheteira.
“Megalopolis”, que teve a sua estreia em Cannes em maio de 2024, gerou uma reação crítica dividida: desde “megainchado e megachato” (The Guardian) a “fascinante” (The New York Times). A história longa e complicada do seu financiamento e produção foi muito documentada e discutida; os seus temas e ideias dissecados e escrutinados. O desempenho de bilheteira foi modesto, e os dois Razzies deste fim-de-semana são os primeiros prémios que o filme recebe nesta temporada.
Coppola junta-se assim ao pequeno, mas distinto, contingente de vencedores do Óscar e Razzie, ao qual pertencem Ben Affleck e Sandra Bullock. Na edição deste ano, “Madame Web”, “Unfrosted”, e “Joker: Folie à Deux” foram os principais premiados.

