“Welded Together”, “Comparsa”, “In a Whisper”: os vencedores do Sheffield DocFest

(Fotos: Divulgação)

O documentário “Welded Together“, assinado por Anastasiya Miroshnichenko, foi o vencedor da Competição Internacional do Sheffield DocFest, certame dedicado ao documentário, que decorre na cidade do Reino Unido, de 18 a 23 de junho.

O júri, composto pelo realizador Andrew Jarecki, pelo produtor Rémi Grellety e Tomoko Okutsu (Coprodução Internacional e Produtora de Aquisições, NHK), descreveu “Welded Together” como “um retrato de resiliência e força — tanto da personagem principal como de uma comunidade solidária“. O filme centra-se em Katya, um jovem que trabalha como soldadora e que tem de lidar com a dura realidade do alcoolismo na sociedade bielorrussa, procurando manter a família perante a doença da mãe.

Nesta secção,  “The Gas Station Attendant“, de Karla Murthy, onde uma filha reflete sobre a vida do pai — entrelaçando a história da sua milagrosa viagem das ruas da Índia com as realidades da vida nos Estados Unidos, conquistou ainda uma menção honrosa.

Comparsa” de Vickie Curtis e Doug Anderson

Na competição internacional de estreias o vencedor foi “Comparsa“, de Vickie Curtis e Doug Anderson, projeto que, segundo o júri, composto por Alexandre Marionneau, Anna Berthollet e Geeta Gandbhir, “celebra o poder da resiliência de uma comunidade, ao mesmo tempo que lança luz sobre uma história desconhecida de violência sistémica de género“. Em 2017, 41 meninas de um orfanato estatal guatemalteco foram mortas num incêndio quando os seus guardas recusaram libertá-las de uma sala de aula trancada. O evento tornou-se emblemático da violência de género na Guatemala e serviu de centelha para as irmãs Lesli e Lupe mobilizarem a comunidade num protesto coletivo através da arte e da performance, culminando num festival vívido e estridente pelas ruas de Ciudad Peronia.

O filme equatoriano “Carmela y los Caminantes“, de Luis Herrera, Esteban Coloma, sobre uma mulher afro-equatoriana que gere um abrigo informal para migrantes venezuelanos, recebeu ainda uma menção honrosa do júri.

“In a Whisper” (Dans un Souffle)

Portugal saiu duplamente vencedor na Competição Internacional de Curtas-Metragens, com o Grande Prémio a ser entregue a “In a Whisper” (Dans un Souffle), realizado por Catarina Gonçalves sob o selo DocNomads. A curta acompanha Nina Pinzarrone, de 17 anos, patinadora artística belga, enquanto ela procura a perfeição e prepara-se para seu primeiro Campeonato Mundial. Nas menções honrosas, “Oscurana“, de Violeta Mora, uma produção entre as Honduras, Portugal, Hungria e Bélgica, também ela sob o selo DocNomads, coloca o espectador na pele de um migrante centro-americano enquanto ele embarca numa perigosa tentativa de cruzar a fronteira para a América do Norte.

Já o Prémio Tim Hetherington foi para Sudan, Remember Us” (Sudan Y’a Ghali). A distinção, que reconhece o filme e cineasta que melhor reflete o legado do fotojornalista e cineasta Tim Hetherington, foi entregue a Hind Meddeb por um documentário que, através de diferentes vinhetas temporais, mostra a resistência de jovens sudaneses, com sonhos de democracia, entre a queda do ditador Omar al-Bashir, em 2019, e a eclosão da guerra civil, em abril de 2023, um confronto que opõe Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido paramilitares.

Finalmente, “Speechless Witness of a Wandering Treeganhou a distinção na secção de Realidade Virtual, enquanto “Runa Simi, de Augusto Zegarra, conquistou o Prémio Jovem.

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