Estreia esta sexta-feira, na RTP1, pelas 23 horas, “O Sítio da Mulher Morta“, telefilme assinado por José Carlos de Oliveira que está inserido no projeto Trezes,
Com base no conto homónimo de Manuel Teixeira-Gomes (1860-1941), “O Sítio da Mulher Morta” segue a memória efabulada de uma personagem feminina, e o seu efeito na vida morna das rotinas de um casal; o conceito do erotismo como impulso absoluto, arrasador, “um contrarromantismo que redunda num outro romantismo“.

Em declarações ao C7nema, o realizador e produtor José Carlos de Oliveira explicou as suas motivações e o processo de adaptação do conto: “Desde muito novo sou um leitor, diria, viciado. Conheço muita coisa, mas desde que arranquei com o projeto Trezes li no mínimo 200 contos. Tive a Isabel Montellano, que já morreu, a apoiar-me e foi preciosa. Existiam alguns autores que tinha dúvidas, mas não foi o caso do Manuel Teixeira Gomes. Entre muitos, esse conto acabou por passar-me pelas mãos. Tive na dúvida se optava pelo “Sítio da Mulher Morta”, do Manuel Teixeira Gomes, e “O Ódio das Vilas”, do Manuel Fonseca. Os dois são muito semelhantes no seu olhar à sociedade. Os conflitos são diferentes, pois também são de épocas diferentes. O António da Cunha Telles acabou por escolher “O Ódio das Vilas”, porque ele e o Manuel da Fonseca foram amigos. Acabei com muita satisfação ficar com este. Além disso, é um conto violento que caracteriza muito bem aquela relação. Em primeiro lugar, caracteriza estas memórias que nós temos e que nos assaltam correntemente e que devido à rotina dos casais, acabamos por enfabular, pensando que ali é que foi o grande momento da relação. No final, isso nem é verdade, mas essa memória vale mais que tudo e, quando reaparece, tudo é renovado. (…) Acho que encontramos os elementos chave que deviam ser desenvolvidos do conto e depois exageramos, que é isso que fazemos. Dramatizamos de forma a que seja mais fácil para o espectador perceber a importância do que está acontecer e do que aconteceu.”
A iniciativa Trezes da RTP partiu de 13 contos de outros tantos autores, assinados por 13 realizadores diferentes.

